O nível de emprego formal em Bauru em 2004 fechou acima dos números registrados no ano anterior, segundo dados sobre seguro-desemprego obtidos na Caixa Econômica Federal (CEF) e no Centro de Estudos e Pesquisa para Encaminhamento ao Trabalho (Cepet). Para o economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) Reinaldo Cafeo, Bauru acompanhou a recuperação nacional da economia ocorrida no ano passado.
De acordo com os dados do Escritório de Negócios (EN) da CEF, em 2003 foram pagas 58.480 parcelas do seguro-desemprego em Bauru, totalizando o valor de R$ 19.428.000,00. No ano passado, foram pagas 57.490 parcelas no valor total de R$ 21.165.000,00, uma redução de aproximadamente 2% na comparação com a quantidade de pagamentos efetuados em 2003.
O valor maior em 2004, apesar da queda na quantidade de parcelas pagas, está relacionado à faixa salarial dos trabalhadores que entraram com o pedido de liberação do seguro-desemprego.
Em relação à área total abrangida pelo EN da Caixa, em 2003 foram pagas 330.716 parcelas, somando R$ 104.917.000,00. No ano passado foram 318.805 parcelas (queda de 3,6% sobre 2003), o que corresponde a um valor total de R$ 113.574.000,00.
Outro número que comprova o crescimento da atividade econômica em Bauru ao longo de 2004 é o valor do Produto Interno Bruto (PIB) - soma de todas as riquezas produzidas: fechou em cerca de R$ 3 bilhões, contra R$ 2,888 bilhões em 2003. Para 2005, a projeção do economista Reinaldo Cafeo - com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do PIB nacional - é de que o valor salte para R$ 3,124 bilhões.
No Cepet, a assistente social Sílvia Helena Ferreira diz que 8.071 pessoas procuraram o órgão no ano passado em busca de uma vaga de trabalho. Em 2003, 9.280 nomes foram cadastrados no Cepet.
Já em relação à quantidade de vagas oferecidas por empresas que mantêm vínculo com o Cepet, no ano passado foram abertas 432 vagas, contra 411 no ano 2003, o que também aponta o aumento das oportunidades no mercado. Mas o principal dado positivo é o da quantidade de trabalhadores que conseguiram sua recolocação no mercado de trabalho por meio do Cepet: 310 no ano passado contra 174 no ano anterior.
“Isso mostra, realmente, como Bauru está acompanhando a recuperação da economia em nível nacional. No ano passado, foram gerados mais de 1 milhão de empregos no País. Há várias empresas em Bauru que estão trabalhando 24 horas por dia, e para isso precisam ter três turnos de trabalho”, observa Cafeo.
Ao longo de 2004, a destacada performance das exportações e a melhora do mercado interno em nível nacional tiveram reflexos importantes na atividade econômica em Bauru.
“Os reflexos da recuperação do mercado interno são visíveis nos setores de comércio e serviços na cidade, que tiveram expressivo incremento em 2004. Também não houve, no ano passado, registros de falência de grandes empresas e nem fechamento de escritórios regionais. Há indicativos, inclusive, de que a renda também melhorou. Basta ver as estatísticas do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), que mostram aumento na retirada de nomes da lista de inadimplentes em relação a 2003.”
Para a assistente social do Cepet, um fato pode ter sido fundamental para o aumento na quantidade de trabalhadores que conseguiram retornar ao mercado de trabalho no ano passado em relação a 2003: a conscientização de que é preciso investir na profissionalização.
“Ao longo do ano passado e neste começo de 2005, eu tenho analisado um grande número de currículos que mostram a preocupação das pessoas em investir em diferenciais como cursos de especialização na sua área. Com as empresas abrindo mais vagas e contratando mais, aumentam as chances de contratação principalmente para os profissionais que estão melhor preparados”, observa Sílvia.
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Carteira assinada
Célia Cristina Ferrazoli, 34 anos, é uma das pessoas que engrossam os números do aumento do nível de emprego formal em Bauru. Depois de três anos sem trabalhar, em novembro de 2004 ela conseguiu vaga como funcionária temporária em uma loja de confecções femininas e masculinas. Neste mês, foi efetivada pela proprietária do estabelecimento - que aumentou de tamanho no final do ano.
“Eu fiquei sabendo da vaga por um anúncio no Jornal da Cidade. O contrato temporário que fiz na loja terminou em 31 de dezembro, e aí eu recebi a maravilhosa notícia de que seria contratada. Agora, muita coisa vai mudar para melhor na minha vida”, comemora Célia.
A cozinheira Marta Izidoro também está começando 2005 de emprego novo, após ficar oito meses desempregada. Ela e o marido sustentam uma família de quatro pessoas.
“Eu levei meu currículo na empresa no final do ano passado, mas tinha mais umas 20 pessoas disputando uma vaga. Três dias depois de fazer a entrevista, no início de dezembro, fui comunicada da contratação. Estou adorando meu trabalho.”