Itapuí - A Vigilância Sanitária determinou ontem que 600 quilos de tilápias fossem enterrados em uma vala no aterro de Itapuí (42 quilômetros a leste de Bauru) por estarem impróprios para o consumo.
Os peixes estavam sendo transportados em uma caminhonete para Santa Maria da Serra, onde seriam transformados em ração animal. A apreensão ocorreu no início da manhã de ontem, quando a caminhonete estava deixando a cidade.
Quanto ao veículo, a única irregularidade encontrada pela polícia foi um pneu “careca”. A documentação estava em ordem. Já o pescado, de acordo com avaliação da Vigilância Sanitária, estava sendo transportado de maneira inadequada e em precárias condições de higiene.
De acordo com policiais que atenderam a ocorrência, os peixes estavam sendo transportados dentro de caixas com gelo e algumas tilápias ainda estavam vivas. No entanto, em cima dos peixes haviam botas sujas, encerados, pneus e outros materiais.
Foram levados para a delegacia da cidade o motorista da caminhonete e dono dos peixes, Francisco José da Silva, e os pescadores Francisco Alves dos Santos, Cícero Marcolino de Melo e José Vieira Maciel. Eles foram indiciados por crime ambiental. Segundo a polícia, é a segunda vez que o motorista responde pelo mesmo crime.
Devido à proximidade com o rio Tietê, Itapuí tem atraído dezenas de pescadores. Um grupo de aproximadamente 18 pessoas chegou inclusive a ocupar um prédio público localizado às margens da prainha da cidade. Embora o imóvel tenha permanecido abandonado por muito tempo, o prefeito recém-empossado, Gilberto Saggioro (PPS), solicitou à Justiça a reintegração de posse.
Além dos pescadores que estão acampados nesse prédio, dezenas de outros encontram-se espalhados em outros acampamentos pela cidade. Todos os dias, eles armam as redes no fim da tarde e só as recolhem no dia seguinte, por volta das 6h.
Somente o grupo acampado no imóvel da prefeitura pesca diariamente cerca de 150 quilos de tilápias. De acordo com os pescadores, os peixes são levados para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na capital paulista, onde são comercializados.