O “Vôo da Rosa” é o mais novo livro de Blasco Peres Rego, bauruense que já coleciona mais de 50 obras escritas e seis editadas.
Desta vez, ele conta três histórias de amor. O grande diferencial, segundo o próprio autor, é que elas são verídicas. “Eu acho que, de todos, este é o melhor. Sem dúvida nenhuma”, compara.
Rego, que tem em Shakespeare uma grande fonte de inspiração – “eu li os 37 livros de Shakespeare” -, concorreu no ano passado a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Entre os 218 pedidos para a cadeira que pertencia a Roberto Marinho, 14 escritores foram selecionados. Blasco era o 11.º.
Após uma obra de amor, ele pretende mudar sua temática e escrever sobre problemas que assolam o País e o mundo. O próximo livro já tem nome – “Previsões”. “Nele, eu procuro mostrar o que deve acontecer no Brasil e no mundo. Nós temos problemas com os quais muita gente não se preocupa, mas que são gravíssimos. Um deles é a água. É um livro até meio pessimista, mas é a realidade”, justifica.
Confira, a seguir, trechos da entrevista concedida ao JC Cultura.
JC Cultura – Sobre o que trata seu novo livro?
Blasco Peres Rego – São três histórias verídicas de amor. E, como são verídicas, eu tive de mudar todos os nomes. Inclusive esse livro vai para a Noruega para participar do Nobel de Literatura. A terceira história fala sobre um casal de judeus que passou a vida lutando pela busca da paz entre árabes e judeus. E ele tinha um projeto para conseguir essa paz. Mas a esposa dele morreu moça e ele me telefonou três horas da manhã falando que havia acontecido a maior desgraça do mundo. Eu tinha um escritório de advocacia em São Paulo e era advogado dele. Fui à casa dele às três horas da manhã, onde havia um jardim lindo cheio de rosas. E ele me falou que “a morte dela foi como se a rosa mais linda desse jardim voasse para nunca mais voltar. Eu só quero morrer e ir para onde ela foi”. E, quarenta dias depois, ele morreu. Morreu de amor. Daí veio o nome do livro.
JC – Essa é parte de uma das histórias do livro?
Rego – Sim. As outras duas histórias também são de amor. Duas histórias começam na Europa e terminam em São Paulo. E a terceira se passa em São Paulo, Capital. É um livro que prende muito a atenção porque tem uma seqüência de acontecimentos instigante.
JC – Essa é uma temática constante na sua obra?
Rego – Tem livros meus que são profissionalizantes. Eu fico com pena desse pessoal que não consegue emprego e que não tem condições de fazer um curso no Senac (Serviço Nacional do Comércio). Então eu escrevi o manual do garçon, o manual do frentista e o dos vendedores. A pessoa lendo o livro está em condições de arrumar um emprego. Eu já entreguei para o prefeito Tuga (Angerami) uma proposta para que a prefeitura organize um curso de porteiro, frentista, garçon e vendas, que eu dou de graça. É só ter local e a condução. Isso para ajudar as pessoas.
JC – “O Vôo da Rosa” é seu primeiro livro de amor?
Rego – Não. Tem outros. Tem um que se chama “Corações em brigas” e outro que se chama “Amor, só Amor”. Mas o melhor deles é “O Vôo da Rosa”.
JC – Por quê?
Rego – Não sei se é porque as histórias são verídicas e eu conheci as pessoas. Eu acho que, de todos, esse é o melhor. Sem dúvida nenhuma.
JC – Essa é uma temática da qual o senhor gosta?
Rego – Gosto sim. Eu sempre volto a escrever sobre isso. A inspiração vem através da música. Por exemplo, ouvindo as músicas que o Julio Iglesias canta. A gente vê que tem muito sentimento.
JC – O que o senhor lê hoje?
Rego – Eu sempre li Dante Alighieri, Shakespeare. Eu li os 37 livros do Shakespeare. Considero ele uma das maiores sumidades. Nessa constelação toda, ele e mais uns dois ou três formam um estrelato maravilhoso. Era um poeta e escritor brilhante. Por exemplo, tem um livro dele que chama-se “O Mercadante de Veneza”, que eu adoro. A gente fica impressionado de ver a capacidade dele de criar aquelas situações. Isso, para mim, tem um valor extraordinário.
JC – Como o senhor avalia a literatura produzida em Bauru atualmente?
Rego – Eu nasci aqui e conheço Bauru há muito tempo. Antes, não havia nada. Hoje, é um berço da cultura. Tem universidades boas, cursinhos, quantidade de escolas. E tem também bons escritores e jornalistas. Eu acho que Bauru está bem posicionada na parte de literatura. Eu penso assim. Mas tem uma coisa com a qual eu não me conformo: a Academia Bauruense de Letras não tem uma sede; praticamente não tem nada. Se alguém me pedir o endereço ou telefone da academia, eu não sei dizer. Eu só sei que o presidente é o Munir Zalaf, que é um bom poeta. Mas eu acho que Bauru merece uma academia com uma sede própria, com instalações. Isso desenvolveria uma porção de coisas porque Bauru tem bons escritores e poetas. Tem de tudo.