A notícia de que o lixo de Bauru passará a ser recolhido por uma empresa privada provocou duras críticas de vereadores ligados à oposição. Eles acreditam que a situação do setor de coleta da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) não é tão caótica quanto anuncia o seu presidente, Renato Purini.
O parlamentar João Parreira (PSDB) afirma que se surpreendeu com o fato. “Isso me causou uma profunda estranheza, porque para se decretar o estado de emergência é preciso estar evidente que um serviço prestado pela municipalidade não está correspondendo, e não é o caso da coleta de lixo”, argumenta.
Parreira afirma que não tem recebido reclamações da população quanto ao recolhimento do lixo. “Se a coleta não fosse satisfatória, fatalmente os vereadores estariam acumulando diversas denúncias”, comenta.
Ele também contesta o estado de conservação da frota. “A Emdurb tem 16 caminhões operando, dos quais 13 rodam o dia inteiro. Há veículos novos, com vida média de uso e outros mais velhos. Mesmo assim, o lixo é coletado de forma regular há muitos anos”, destaca.
O tucano não concorda, ainda, com os cálculos da empresa municipal que apontam que o custo real da tonelada de lixo recolhida é de R$ 80,00. “Tivemos uma audiência pública na Câmara recentemente e a Emdurb entendeu que deveria receber da prefeitura R$ 52,00 por tonelada”, recorda.
Ele diz que está preocupado com o destino dos 130 coletores e motoristas que serão dispensados. “Se nós estamos vivendo um momento emergencial, como é que a Emdurb irá pagar os direitos trabalhistas de toda essa gente?”, questiona.
Parreira acredita que a decisão foi precipitada. “O prefeito Tuga Angerami (PDT) deveria analisar a situação melhor, se é que ele concorda com essa privatização. Ele está tomando medidas saneadoras, que dizem respeito à não-contratação de assessores e à extinção dos secretários-adjuntos, mas desta vez faltou bom senso”, analisa.
O vereador Marcelo Borges (PSDB) também contestou a contratação da empresa terceirizada. “Não há nenhuma reclamação na cidade e o serviço está funcionando, tanto que as ruas estão limpas. Não há motivos para esse estado de emergência”, diz.
Ele não poupa Tuga Angerami por ter concordado com a decisão da Emdurb. “O prefeito atual, que sempre falou em defender os funcionários, vai deixar os servidores na rua? Acho isso estranho, porque não foi o discurso utilizado em campanha”, declara.
O parlamentar lembra que havia uma empresa terceirizada responsável pela coleta quando Tuga foi prefeito pela primeira vez. “Ele rompeu o contrato e a prefeitura passou a assumir o lixo argumentando que ficava mais barato”, destaca.
Segundo ele, a bancada do PSDB na Câmara irá se reunir para discutir o assunto. “Vamos analisar a parte legal dessa medida com um advogado”, anuncia.
Para Borges, a Emdurb deveria gerir melhor os seus recursos. “Com os valores da indenização, a empresa poderia comprar maquinário e ainda sobraria dinheiro”, diz.
Funcionários graduados da Emdurb que preferiram não ser identificados também negam que a frota da empresa está em situação desesperadora. Eles concordam com a necessidade da recuperação de alguns veículos, mas afirmam que o quadro não é de calamidade.