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Expedição à Transamazônica começa amanhã

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Mais de 7 mil quilômetros, a maioria deles em trechos intransitáveis, cheios de lama, em um clima que alterna calor escaldante com chuvas torrenciais e quase ninguém por perto para ajudar. Coisa de maluco? Não, é apenas o resumo do que um grupo irá enfrentar durante a expedição, batizada de “Transamazônica 2005 – No Limite da Emoção”, que pretende encarar uma das mais polêmicas e inacessíveis rodovias nacionais: a Transamazônica.

O planejamento da aventura, que reunirá nove pessoas - cinco bauruenses, dois avareenses, um paulistano e um mineiro - divididas em quatro jipes (dois Toyotas Bandeirante, um Javali e um D10 4x4) - já está traçado. A previsão é sair de Bauru amanhã, às 7h, próximo ao Posto Graal na Rodovia Marechal Rondon, e, após 30 dias, ter rodado exatos 7.097 quilômetros, mais de 2.400 deles em terra “pura”, atravessado vários Estados e desbravado uma parte da Transamazônica. O percurso prevê, ainda, um único trecho em que os jipeiros não estarão ao volante de seus veículos. Trata-se do compreendido entre as capitais do Amazonas (Manaus) e do Pará (Belém), cuja travessia terá de ser feita por balsa ao longo do rio Amazonas. “Não temos a noção de quilômetros, mas sabemos que ela dura, pelo menos, cinco dias”, enfatiza o bauruense Wagner Gomes França, um dos organizadores da expedição.

A época prevista para a viagem não foi escolhida por acaso. Em virtude da quase completa ausência de pavimentação da rodovia, a Transamazônica só é trafegável em alguns trechos durante o verão, que vai de junho a dezembro. No período chuvoso, justamente o “eleito” pelos membros da expedição para efetuá-la, o trânsito é muito difícil ou impossível em 70% da estrada.

Vários trechos viram lamaçais e ficam interrompidos, deixando ilhados quase todos os poucos núcleos urbanos. Caminhões e ônibus podem ficar dias e até semanas atolados aguardando socorro. “Encará-la neste mês de chuvas será um enorme desafio, mas este é o principal objetivo da viagem”, frisa França. “Vamos lá para procurar encrenca mesmo. Se quiséssemos ter vida mansa, ficaríamos em casa”, brinca.

Apesar disso, ele considera que o aspecto mais difícil será enfrentar a imprevisibilidade do clima, que alterna condições quentes e úmidas, e da própria rodovia. “Dependendo do trecho, podemos demorar um dia inteiro para andar apenas dez quilômetros”, diz França.

“Mas será uma expedição bem diversificada, pois andaremos em todos os tipos possíveis de pisos, desde o asfalto e o barro até o rio e areia”, acrescenta. Na areia eles pisarão quando passarem pelo parque do Jalapão, no Tocantins, um dos principais destinos do turismo de aventura no País. “Daremos uma esticadinha até lá, pois é nosso grande sonho conhecê-lo”, destaca o jipeiro.

Além disso, a expedição aproveitará para distribuir roupas, doadas por um empresário dono de uma grande companhia aérea nacional, e bíblias, compradas por França, para a população que encontrar pelo caminho. “Nossa intenção inicial era doarmos alimentos e materiais escolares. Contatamos várias empresas bauruenses, mas, infelizmente, não conseguimos nada. Nem retorno nos deram”, critica o jipeiro.

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Preparação

O planejamento da expedição começou a ser traçado há cerca de um ano e meio, época em que a idéia de encarar a Transamazônica surgiu. De lá para cá, foram meses de preparação, que envolveram a montagem de toda a estrutura necessária à aventura.

A começar pelos jipes, que passaram por um intenso processo de revisão geral, principalmente nas suspensões, regulagem de motores e adoção de pneus especiais. Outra preocupação foi com os equipamentos imprescindíveis para a realização de uma viagem desse porte, como guinchos, cabos de aço, cordas, âncoras, tripés, enxadas, picaretas, facão, pregos, arame e até uma motossera. Além disso, também não faltam um gerador, repelentes, roupas, kit de medicamentos e comida.

A rotina de alimentação e pouso também já está definida. “Nos três primeiros dias, comeremos em restaurantes. Daí para frente, nos viramos com o que trouxermos – bolachas, refrigerantes, água. Previsão para almoço não há, só para janta. Para dormir, levamos barracas”, explica Wagner Gomes França.

Se depender da experiência dos jipeiros, a expedição tem tudo para ser um sucesso, pois não há “marinheiros de primeira viagem” em eventos off road. Prova disso é que França já efetuou, em 2001, aventura semelhante pela Transamazônica. “Fui com meu irmão e rodei, durante 22 dias, cerca de 9 mil quilômetros superando diversas dificuldades. Foi um laboratório e tanto para encararmos novamente este desafio”, conclui.

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A estrada

Cravada na Floresta Amazônica desde o início da década de 70, a Transamazônica permanece inacabada, sem pavimentação na maior parte de sua extensão e sem função socioeconômica definida.

Sua “origem” começa em Picos (PI) e deveria “rasgar” toda a floresta Amazônica até a fronteira com o Peru, totalizando cerca de 5.400 quilômetros, mas as obras, iniciadas no governo do general Emílio Garrastazu Médici, não foram além do município de Lábrea (AM).

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