Eduarda de Mattos Previero tem 12 anos e mora em Bauru. Passa as férias na casa dos avós, em Iacanga. “É a melhor casa que eu conheço. Aqui posso comer o que gosto. Na minha casa, meus pais fazem eu comer peixe e eu não gosto.”
A menina, que está na pré-adolescência, também aprecia a liberdade. “Aqui em Iacanga vou sozinha à sorveteria, não tenho medo de sair na rua, aqui não tem perigo.” Sofia de Matos Previero, a irmã mais nova de Eduarda, curte a casa dos avós em Iacanga, mas o que ela mais gosta são as brincadeiras, a companhia da prima e a banana frita que só a vó sabe fazer.
Letícia Previero Ticianelli, a prima das duas, mora em Iacanga, mas passa as férias na casa dos avós e confessa que a companhia das primas é o ponto mais importante da casa da vó. “Nós podemos brincar muito. Quando elas vão embora, tudo fica triste”, confessa.
Para os irmãos Mateus e Lucas de Oliveira Dalbeto, que passam as férias em Agudos, a casa da vó é sinônimo de liberdade. “Podemos andar de bicicleta na rua e cuidar das galinhas, além de poder andar sem camisa e descalço.”
Para as irmãs Cintia e Raquel Sesso Perches, que passam parte das férias na casa dos avós, em Pirajuí, o encontro com a família é o mais importante. “Eles são o ponto de encontro da família.” Evandro Chaves Perches, primo das jovens, acha que a casa da vó é sinônimo de mordomia. “Eu acordo e o café já está na mesa. Montado com capricho e carinho.”
Para Ana Laura Messias Perches, a casa dos avós tem sabor de piscina. “Na minha casa não tem e eu adoro ficar na piscina. Quando venho para cá, passo mais tempo na água do que em qualquer outro lugar da chácara.”
____________________
‘Meus filhos não tiveram isso’
Por vários motivos, os filhos do casal Previero não tiveram as mesmas mordomias que as netas. “Procuro fazer para elas o que meus filhos não tiveram. A casa é só alegria durante as férias escolares. Os pais reclamam que nós damos muitas manhas e quando eles retornam à rotina normal querem as mordomias”, diz Maria José Previero.
Na avaliação da avó, o relacionamento entre as primas e irmãs é muito bom. “De vez em quando sai uma briguinha, mas nada preocupante. Eu acho que elas vão ter boas lembranças da infância e da casa da avó.”
As férias na casa dos avós é tão boa que atrai as crianças da vizinhança. “ A Marina não é minha neta. Ela mora aqui em Iacanga e tornou-se amiga da Eduarda. Nas férias, ela vem ficar aqui, traz até mochila.”
____________________
Exigência zero
Na casa dos avós Previero a exigência é zero. As netas podem fazer tudo, desde que isso não represente algum perigo. “Só proíbo coisas que possam afetar a saúde delas. Deixo elas dormirem na sala, mesmo elas tendo um quarto só para elas. Ficam na piscina o tempo que desejarem”, comenta a avó.
Ela não resiste a um pedido das netas. “Só na minha TV tem DVD. Como elas queriam assistir filmes, acabei cedendo, temporariamente.”
Mesmo sem muitas exigências, as netas respeitam os avós. “Eu nunca precisei brigar com elas. Quando falo, elas respeitam”, dizem os avós.
O quarto dos avós, que era um dos poucos locais não ocupados pelas netas, também foi ‘invadido’, contam, rindo, os avós corujas. “Nós fomos na formatura de uma sobrinha em Campinas e minha filha ficou com elas. Elas aproveitaram e dormiram no nosso quarto.”