“Gastar sola de sapato” ainda é o melhor conselho para quem quer fazer economia na compra dos materiais escolares. A orientação é do consultor e economista Adriano Fabri, que realizou a pedido do JC um levantamento em sete pontos-de-venda, comparando o preço de dez itens. Na soma total, a diferença média entre o menor e maior preço foi de cerca de 42%.
Individualmente, o lápis comum foi o material que teve a variação mais expressiva. No local mais barato foi encontrado por R$ 0,17 e no mais caro por R$ 0,44, ou seja, um aumento de 159%.
“É uma diferença significativa. A economia acaba compensando o trabalho da pesquisa”, conclui Fabri.
Antes de sair às compras, o economista afirma que também é importante avaliar quais os materiais do ano anterior podem ser reutilizados e evitar despesas desnecessárias. Atentos à importância da reciclagem, muitos pais já aprenderam a lição de casa e cumprem esse ritual todos os anos.
Nas lojas, depois de fazer o balanço do que pode ou não ser reaproveitado, os pais também devem avaliar as diferenças de preços entre as marcas dos produtos.
“O pai tem que tomar cuidado porque às vezes a escola especifica uma determinada marca na lista. E não necessariamente tem que ser a especificada. Também existem grandes variações de preço entre as próprias marcas”, ressalta o economista.
Em uma papelaria da cidade, por exemplo, o JC constatou que a diferença de uma caixa de lápis de cor de marca famosa e outra menos conhecida era de cerca de R$ 4,00. A indicação de marcas em listas escolares é uma conduta considerada abusiva por parte do Procon.
Estar atento às condições de pagamento, comparando as alternativas oferecidas pelas lojas, também é um aspecto importante na hora da compra. Se o consumidor tiver disponibilidade em caixa ele deve optar pelo pagamento à vista e insistir em um desconto. Caso contrário, deve analisar as condições oferecidas a prazo e assumir o número de parcelas coerente com o seu orçamento.
“Muitas vezes você deixa de comprar parcelado e quer comprar à vista, mas entra no cheque especial, que pode ser mais caro do que o parcelamento. Então, o consumidor deve comparar a alternativa que tem para financiar esse material e analisar quantos por cento de juros a loja está cobrando”, diz Fabri.
O economista também alerta para as armadilhas do pagamento a prazo. Segundo ele, algumas lojas anunciam parcelamento sem juros, mas incluem o aumento no próprio produto. “Normalmente existe um juro já embutido”, diz.
Outra dica para gastar menos nesse período é tentar organizar grupos de pais para poder negociar melhores preços nos pontos-de-venda. “Se for possível associar o grupo da escola para comprar em quantidades maiores, você vai ter um poder de pechincha maior”, diz o coordenador do Procon de Bauru, Silvio Orti.
Orçamento apertado
Após os gastos com as festas de final de ano e o início da temporada de pagamento de tributos como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), a hora é dos pais prepararem o bolso para as despesas com materiais escolares.
Nesse período, muitas pessoas têm que fazer verdadeiros malabarismos com o orçamento, já que iniciam o ano com uma série de despesas extras. “Além do material escolar, tem o IPTU, que começa a vencer em fevereiro, o IPVA logo no começo do ano, a matrícula escolar, então é uma série de compromissos que você tem logo no início do ano e num período que sucede os gastos extras do Natal”, diz Fabri.
O economista afirma que é importante que o cidadão faça nessa época do ano um orçamento familiar, comparando a necessidade de gastos e a disponibilidade de renda.
“Infelizmente o mês de janeiro é horrível”, confessa a funcionária pública estadual Silvia Rosa Amarante, 46 anos, que estima gastar cerca de R$ 400,00 com a lista de material escolar do filho de 12 anos.
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Atentos
De acordo com Karina Rufino Camargo, 24 anos, proprietária de uma papelaria em Bauru, muitos pais estão atentos quanto a diferença de preços das lojas e fazem pesquisas antes de comprar o material escolar.
“Os pais vão em várias papelarias, voltam, tentam negociar. Eles estão bem atentos com o preço. Porque acaba existindo uma diferença de um lugar para o outro”, diz a lojista.
A professora Guaraciba Teresinha da Silva, 54 anos, é um exemplo de quem não poupou disposição para conseguir a melhor oferta. “Eu faço pesquisa, já fui em quatro lugares antes de fazer a compra”, afirma ela, que diz ter gasto cerca de R$ 150,00 com material escolar do neto, de 8 anos.
Já as professoras Cláudia Luciane Gazola Smarito, 34 anos, e Lilian Feitosa Pereira Stabelini, moradoras de Ourinhos, se reuniram para fazer a compra do material de seus filhos em Bauru. Elas adquiriram o produto no atacado e afirmam que a economia foi compensadora. “Nós compramos, por exemplo, pacote com três caixas de lápis de cor e dividimos. Sai mais em conta”, diz Luciane. “Eu acredito que a economia total deve ser de 40%”, completa Lilian.
Lojistas consultadas pelo JC afirmaram que, em relação ao ano passado, o aumento médio dos materiais escolares estaria na faixa de 5% a 10%.