A organização de um presídio apresenta características de uma instituição total, ou seja, de um espaço onde, de acordo com o teórico Erving Goffman (autor do livro “Manicômios, prisões e conventos”), um número de indivíduos com situação semelhante e separados da sociedade levam uma vida fechada e formalmente administrada.
Numa rotina institucionalizada, a conduta do interno é moldada, estando sujeita a regulamentos e julgamentos. As regras da casa especificam a rotina diária dos presidiários. Há horários para acordar, comer, recolher-se, etc.
Na opinião do detento Carlos Gomes, 66 anos, do Instituto Penal Agrícola (IPA), essa conduta regrada é digerida com dificuldade pelas pessoas de idade mais avançada.
“A gente não vai suportar mais aquilo que suportava quando era jovem. Então, a gente quer sossego e paz. O maior sofrimento que a gente tem dentro do sistema é o regime e a convivência com determinadas pessoas”, diz. “Com o passar do tempo, vai começando a aumentar nas costas da gente o peso da cadeia. É mais difícil de se adaptar”, completa
A questão da privacidade é apontada como outro problema. O presidiário tem que dividir seus hábitos com outros indivíduos que, muitas vezes, não apresentam afinidades, sendo obrigado a aceitar uma relação social imposta.
“Nós não temos privacidade, temos que respeitar a disciplina e seguir as ordens”, diz Gomes, que cumpre pena há 18 anos. “O sistema é violento por natureza. Eu aqui não vivo, mas consigo apenas conviver”, declara um detento idoso do IPA, que preferiu não ser identificado.
Os idosos entrevistados pelo JC na penitenciária 1 de Bauru são provenientes da Grande São Paulo e já passaram por outras unidades carcerárias do Estado, como a extinta Casa de Detenção.
Eles afirmam que, comparada à realidade da Capital, a unidade de Bauru é mais tranqüila. “Quando eu saí de lá (de Presidente Bernardes) e cheguei aqui, saí do inferno para vir para o céu”, compara Antonio Barranqueiro, 61 anos.