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Detentos criam métodos próprios para suportar a difícil realidade

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

É preciso se apoiar na fé para encontrar uma razão de vida e enfrentar a realidade do sistema carcerário. É o que afirma o detento Carlos Gomes, 66 anos, do Instituto Penal Agrícola (IPA), que se converteu à religião evangélica dentro da prisão. “A religião ajuda a suportar”, afirma.

O trabalho também é apontando como um fator importante para aliviar a tensão dentro do sistema, segundo o reeducando, que atua como mecânico nas dependências do instituto. Opinião semelhante compartilha Francisco Alves de Sales, 66 anos.

“No trabalho, a mente vai toda para o serviço, então a gente se distrai. Chega a hora de deitar, o corpo está cansado e a mente descansa”, descreve Sales, que exerce a função de cozinheiro.

No IPA, todos os detentos trabalham, inclusive os mais idosos. Mas em geral, no sistema carcerário, as oportunidades de trabalho são insuficientes.

No Centro de Detenção Provisória (CDP), por exemplo, nenhum dos idosos com idade acima de 60 anos desenvolve atividades laborais, de acordo com o diretor regional da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), Jonas Cândido.

Também na Penitenciária 1 apenas a rotina de uma parcela dos presos está voltada para o trabalho.

“Na realidade, o que está faltando aqui são outras indústrias (que gerem vagas para os detentos). O que nós estamos necessitando para sair da ociosidade é mais trabalho”, diz o detento Antonio Barranqueiro Filho, 61 anos.

Lembranças

Além do trabalho, também as boas lembranças da vida fora do presídio ajudam a suportar a tensão psicológica de uma rotina institucionalizada, segundo o detento Leônidas Bispo de Almeida, 68 anos. Embora as situações vivenciadas no sistema carcerário estejam impressas na memória.

“Todos os momentos passados no presídio são momentos difíceis, mal-vividos. As coisas ruins a gente procura eliminar, não lembrar muito, mas queira ou não queira, você acaba recordando”, diz Almeida, que ainda guarda as imagens de uma rebelião com muitos mortos na Casa de Detenção de São Paulo na década de 80.

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Experiência

Segundo o presidiário Leônidas Bispo de Almeida, 68 anos, da Penitenciária 1 de Bauru, os idosos, em geral, são respeitados dentro do sistema carcerário pelos presos mais jovens.

“A gente procura conversar e conscientizá-los sobre o modo de se viver aqui dentro. Principalmente (a necessidade de) respeitar para ser respeitado”, diz.

Francisco Alves de Sales, 66 anos, do Instituto Penal Agrícola (IPA), explica que para evitar problemas é preciso cultivar uma boa convivência com os companheiros de presídio e os funcionários. A experiência dos mais velhos, segundo ele, facilita esse processo.

“A gente tenta passar alguma coisa boa para eles, e orientar para que larguem isso (a criminalidade), porque não leva a futuro nenhum”, diz.

Segundo o diretor-substituto de segurança da Penitenciária 1, Nivaldo César Sales, os presos idosos, em geral, tem “espírito apaziguador”, bom comportamento e não trazem problemas para a direção da unidade.

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