“Como ele fez isso?” Quem nunca se fez essa pergunta ao assistir a um show de mágica? “Um Dia Mágico”, encontro regional realizado domingo em Bauru, respondeu a essa e a muitas outras perguntas que, muitas vezes, os próximos mágicos fazem ao conhecer um novo número de um colega.
O evento foi realizado na Academia Átila e Rosi e reuniu mágicos profissionais e amadores de diversas cidades do Estado de São Paulo. Entre as novidades apresentadas está o baralho que muda de cor. O palestrante Gustavo Nascimento Barreto, de Santo André, autor do livro “Pegue uma carta! – Os mistérios da mágica ao alcance de suas mãos”, explica que o número é inédito. Durante a apresentação, o mágico transforma cartas azuis em cartas vermelhas e vice-versa.
Gustavo trabalha também com uma técnica chamada close-up, especialidade da mágica em que o espectador fica a poucos centímetros do mágico. “É o futuro da mágica. A proximidade da mágica close-up dá um impacto muito maior. O conceito de mágica como algo impossível aumenta tremendamente, por estar tudo praticamente nas mãos do espectador. Esse efeito muitas vezes você não consegue no palco porque as pessoas imaginam que pode haver uma caixa, um fundo falso, um parelho”, expõe Gustavo.
Ele afirma, ainda, que a tecnologia está revolucionando as mágicas. “Em termos de grandes ilusões, você vê aparelhos cada vez mais bem feitos, imagens, projeções, efeitos especiais, luz, som, etc. Chega a um momento em que você se eles querem passar um efeito especial ou se querem vender aquilo como uma mágica para o espectador”, expõe.
Internacional
Willians Santos Lopes, presidente nacional da International Brotherhood of Magicians (Fraternidade Internacional de Mágicos), cuja sede fica nos Estados Unidos, também participou do evento de ontem como palestrante. “O mundo da mágica é muito interessante porque sempre tem novidades. Ninguém sabe tudo. A mágica é uma ciência porque existem muitos estudos sobre ela. Além disso, é uma arte que incorpora a psicologia, as artes cênicas, a destreza das mãos, a coreografia, a música, etc”, diz.
Ele afirma que muitas vezes se surpreende com números de mágicos que ele não sabe como foram feitos. “Há coisas incríveis como dividir uma mulher em várias partes – pé para cima, cabeça para baixo, etc. É curioso”
Aluno da Academia Átila e Rose, Mateus Munhoz do Amaral, 14 anos, trabalha com mágica há três anos. “Eu acho que eventos como esse ajudam a mágica brasileira a se elevar a outro nível. É bem interessante tudo isso”, enfatiza.
O mágico Átila Quággio Coneglian afirma que a proposta do evento é a troca da cultura mágica. “A proposta do evento é o entrelaçamento da cultura mágica, que está crescendo muito no Brasil. Todo dia tem uma invenção nova de mágica”, destaca.
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Academia
A Academia Átila e Rose tem a proposta de ensinar mágicos e artes ligadas à mágica, como interpretação teatral, efeitos especiais, etc. Entre os alunos, estão mágicos profissionais e amadores de diferentes faixas etárias.
Ela tem alunos de Bauru e de cidades como Araraquara, Marília, Avaré, Lençóis e Jaú, entre outras. “Nós temos dois encontros semanais para discutir sobre a mágica, para ensinar, para plantar uma semente. Queremos estender o trabalho para pessoas que não têm acesso à magica, como se fosse um sonho”, diz Átila Quággio Coneglian, responsável pela academia.
Ele afirma que a instituição ensina a mágica ligada à ciência e à disciplina. “Quem freqüenta a academia aprende a ter organização, entrosamento, comunicação, etc. E eu diria que a ciência é nossa base fundamental. Tudo o que é utilizado em mágica é executado através da ciência. A gente discute química, física, matemática, psicologia, etc”, frisa.