Tribuna do Leitor

Carnaval - arte/educação


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O Jornal da Cidade do último 11 de janeiro, na seção “Tribuna do Leitor”, trouxe uma matéria interessante do radialista Adilson Motta (Rede Viva de TV) sobre a entrevista do novo secretário de Cultura de Bauru e a situação do nosso carnaval e, a respeito, gostaria de acrescentar alguns aspectos.

É estranho, a Bauru “Cidade sem Limites”, templo do saber e do conhecimento pelo grande número de escolas e universidades que possui, menospreza o Carnaval. Valorizado nas capitais e no exterior como um dos símbolos nacionais, é aqui difamado, humilhado, desprezado e considerado como “artigo de baixa categoria”.

O desfile de uma Escola de Samba constitui uma grandiosa peça teatral com inúmeros atos, representada ao ar livre em um palco imenso (sambódromo) por uma infinidade de atores. A razão prática orienta a razão simbólica.

Na montagem desse monumental espetáculo da cultura popular, um dos mais expressivos símbolos de nossa nacionalidade, trabalham durante todo o ano, professores, artistas e profissionais das mais variadas áreas. Desde os músicos e instrumentistas na composição e arranjos das músicas; sociólogos, historiadores e cientistas sociais na escolha e elaboração do enredo; artistas plásticos e decoradores na confecção das peças que compõe o enredo e, toda uma gama de profissionais para a construção dos carros alegóricos, fantasias e alegorias funcionais. Ou seja, uma escola de samba é uma fábrica de sonhos, uma produtora de conhecimento. Elaborar o enredo da escola de samba a cada ano é viajar pela história, apreciar a discussão de um fato social ou reviver momentos marcantes de uma época.

Acreditamos que as forças vivas de nossa cidade cometem engano quando, a pretexto os mais variados, deixam de apoiar essa manifestação da cultura popular que poderia, bem trabalhada, gerar divisas, promover o turismo cultural e de hospitalidade, dinamizar a educação nos bairros através de oficinas culturais, interagir com a rede de ensino público, gerar trabalho, potencializar a economia local e, facilitar o contato dos jovens que freqüentam as faculdades locais com a realidade local: como exemplo, o enredo de escola de samba, poderia constituir-se em trabalho de pesquisa acadêmico em algumas de nossas universidades, com direito a orientador e tudo o mais - uma interação da cultura popular com a erudita.

Tito Pereira - Centro de Cultura e Tradições da Amazônia - CTA

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