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50 anos ocultando belezas


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Há exatamente 50 anos uma jovem baiana, cabelos louros, olhos azuis, graça e estética excepcionais, 57 quilos e 1,70m de altura, era escolhida no Rio de Janeiro, Hotel Quitandinha, a nossa Miss-Brasil-1954. Era a belíssima Martha Rocha. Nomes da maior projeção no cenário cultural da cidade constituíram o júri, como o acadêmico Manuel Bandeira, pintor Santa Rosa, romancista e deputado Armando Fontes, escritora Helena Silveira, escritor Fernando Sabino, cronista e poeta Paulo Mendes Campos e o jornalista Pompeu de Souza. Mas a decisão, festejada pelo grande público, foi, no entanto, contestada por Patrícia Lacerda, que, sendo neta de Coelho Neto, considerava-se com mais méritos que Marta, a qual, no seu entender, “não sabia vestir-se, não sabia nadar nas praias, não sabia falar, não sabia nem onde ficava Long Beach”. Mas, segundo Manuel Bandeira, Patrícia estava sendo vítima de um mal que os brasileiros ainda não tinham aprendido a sofrear: saber perder...

Não poderia Marta deixar de ser eleita porque seus olhos eram um poema, seus lábios absorventes, os seios robustos e o corpo de uma plástica irrepreensível. Marcou época, sem dúvida, em um campo que jamais voltou a ter exemplares idênticos. E por quê tal não voltou sendo o Brasil riquíssimo, absolutamente, de milhares de jovens idênticas à baianinha, com condições inclusive para lutar não só pelo título de Miss Brasil como pelo altamente cobiçado de Miss Universo? O que fazem hoje os amantes da beleza física nacional que se descuidam de tão sadio objetivo, mesmo diante do exemplo das outras nações, que não se omitem e colocam suas filhas nas passarelas mundiais para a universalização de suas belezas? Depois de Marta uma porção de exemplares já teve o país para subir às maiores alturas da admiração geral.

Na semana passada, São Paulo levou a efeito um desfile das mais sofisticadas vestimentas (saia, blusa, calcinha, maiôs, soutiens etc), apresentadas por dezenas de beldades para esta época de primavera-verão. E foi notável a apresentação de muitas paulistanas na TV, exibindo graça invulgar que a sociedade aplaudiu entusiasticamente, despertando a todos quantos poderiam concorrer para que algumas delas disputem o Miss Brasil, num salto para o Miss Universo, rumando para o pódio da formosura universal. Não deve o país ocultar, mais 50 anos, as suas belezas femininas, situando-as, sempre que possível, entre as mais brilhantes dos planetas, a exemplo de Martinha. É a nossa opinião.

O autor, Nadyr Serra, jornalista responsável do JC, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Todos têm em mãos o invólucro da vida. Está ele atapetado de oportunidades, grandes e pequenas, sagradas e triviais. Alegrias e felicidades rondam à sua volta. É melancólico demais jogar fora tantas chances de ter e ser mais”!

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