O prefeito Tuga Angerami (PDT) defendeu, no início da noite de ontem, que a presidência da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) apresente uma radiografia completa da situação financeira, técnica e operacional do órgão na reunião pública que está sendo preparada para os próximos dias. Tuga elogiou a decisão do presidente da Emdurb, Renato Purini (PMDB), de fornecer uma radiografia sobre o sistema de coleta de lixo, mas pediu que a divulgação seja ampliada.
Purini informou que falta apenas a definição do local para a apresentação pública. “Vamos realizar nos próximos dias essa reunião para mostrar à comunidade como está o quadro atual e discutir as propostas para equacionar o problema”, diz.
Segundo ele, o prefeito quer a solução do déficit permanente da empresa. “O prefeito foi claro ao definir que a Emdurb seja saneada ou sua existência seja rediscutida e nós vamos enfrentar desde já os problemas”, afirma. Já o prefeito entende que a cidade não quer passividade do Poder Público. “A proposta é de colocar a cidade em ordem, o que exige medidas no sentido de melhorar e garantir o funcionamento da máquina”, acrescenta.
Desta forma, para Tuga a decisão sobre a forma de prestação do serviço da coleta de lixo não está vinculada à forma de contratação. “A Emdurb é uma empresa pública com personalidade jurídica privada que presta serviço ao Município, que tem a obrigação de exigir que este serviço seja eficiente e de qualidade. Portanto, não é questão ideológica, de terceirizar ou não”, argumenta.
Assim, para o prefeito a definição sobre a coleta de lixo deve levar em conta a solução do déficit operacional e financeiro. “Não há recursos para renovar a frota, o custo operacional é elevado e manter do jeito que está é esperar o problema ser ampliado. O presidente da Emdurb deve mostrar de forma ampla e detalhada como está a situação e discutir a saída não só para o lixo, mas para o déficit mensal de R$ 500 mil em toda a empresa, o aterro sanitário e os demais serviços”, pondera.
Tuga salienta que o governo terá coragem para discutir e mudar o que não estiver funcionando. “O compromisso do conjunto da administração é de transparência e de coragem para mudar o que não estiver bem e é assim que vamos trabalhar. Por isso a administração aplaude a decisão de realizar uma reunião pública para detalhar a situação da empresa. Se o presidente da empresa assume esta missão e não busca caminhos para resolver o problema corre o risco de responder cível, penal e até com seu patrimônio pessoal depois e o próprio Renato Purini alertou para esse ponto”, conclui.
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A estrutura do lixo
O lixo domiciliar é coletado em 17 setores da cidade através de uma frota de 15 caminhões. Um turno é das 7 h às 13h e outro das 18h às 24 hs, de segunda a sábado. O serviço é realizado por 96 coletores e 34 motoristas. . Segundo a Emdurb, seis caminhões estão parados na oficina aguardando conserto. A média de idade dos veículos é de 12 anos. O ideal é de no cinco anos.
• Dos 15 caminhões que estão na rua, quatro costumam apresentar necessidade de reparos freqüentes. 10 caminhões têm idade acima de 10 anos.
• A Emdurb coletou 63.816,53 toneladas de lixo domiciliar em 2004. O gasto com mão-de-obra direta no serviço foi de R$ 2.644.400,76.
• Os gastos de manutenção (energia, peças e manutenção) consumiram R$ 984.457,74 no setor. O custo com diretores, chefes e gerentes chegou a R$ 205.000,00 em 2004. Os mecânicos geraram gastos de R$ 455.952,98.
• As despesas estruturais de comando (financeiro, jurídico, administrativo, presidência e outros) proporcional para a área de coleta exigiu mais R$ 606 mil. O rateio dessa estrutura é feita com as demais diretorias.
• O custo total do serviço foi fixado a R$ 4.596.000,00 no ano, gerando uma coleta média de 200 toneladas de lixo/dia.