A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) teria ordenado aos coletores que terminassem seu turno de trabalho antes do horário. Essa foi a afirmação feita ontem por um dos funcionários da autarquia (que pediu para não divulgar o seu nome) ao Jornal da Cidade. O diretor da divisão de Limpeza Pública da empresa, Jorge Monteiro, nega qualquer atitude neste sentido.
O funcionário contou que os coletores deveriam trabalhar até as 13h, mas receberam ordens pelo rádio do caminhão para retornar à garagem por volta das 12h20. “Disseram que era pra gente largar tudo do jeito que estava e voltar para bater o cartão”, salientou.
De acordo com ele, às segundas e terças-feiras, os funcionários sempre faziam hora extra para dar conta de recolher todo o lixo dos seus setores. “Nesses dois dias, por causa do final de semana, a quantidade de sacos é maior e temos de trabalhar mais para deixar a cidade em ordem”, destacou o coletor.
Mas não foi isso o que aconteceu ontem. Segundo ele, antes de terminar de recolher todo o lixo, os funcionários tiveram de retornar à garagem e finalizar o trabalho.
O diretor de Limpeza Pública da Emdurb, Jorge Monteiro, disse que essa afirmação do funcionário não condiz com a realidade. De acordo com ele, os coletores foram orientados que poderiam fazer até duas horas extras, mas que acabaram não fazendo por falta de caminhão. “Estamos com dois veículos (de um total de 17) quebrados e não tinha como recolher todo o lixo sem esses caminhões”, ressaltou.
Ele destacou que não houve, “de maneira alguma”, ordem para deixar lixo para trás. “Tanto é que estamos aqui quebrando a cabeça para buscar uma saída de emergência para amanhã (hoje), quando teremos uma quantidade dobrada de lixo nas ruas.”
Ele disse isso em função do acúmulo causado pela falta de coleta no último sábado, quando a Emdurb suspendeu a operação visando acertar a terceirização.
No entanto, nesse mesmo dia, o presidente da autarquia, Renato Purini, decidiu adiar o início do processo, chamando de volta os coletores, conforme divulgou o JC.
Como funcionava?
De acordo com o coletor que procurou o JC, na segunda e na terça-feira os funcionários da limpeza pública faziam hora extra para atender a demanda. “Esses são os dias de maior acúmulo de lixo. Então, a gente passava do horário para conseguir recolher tudo”, disse.
Além disso, como a frota de caminhões apresenta problemas há tempos, segundo o funcionário, era normal haver veículos parados por danos. Dessa forma, o comum era acontecer o deslocamento de funcionários e caminhões para cobrir os setores que ficavam desamparados.
Com o fim das horas extras, o coletor acredita que a situação vai fugir do controle. Ele disse que os funcionários querem trabalhar, mas que não estão podendo fazer a limpeza do jeito que deveria ser feita. “Eles (Emdurb) têm condições de pagar essas horas extras para a gente, mas não querem, preferem terceirizar. A gente se sente muito mal com tudo isso”, afirmou.
O diretor de Limpeza Pública, Jorge Monteiro, nega que esteja havendo “operação-tartaruga” de propósito. Segundo ele, a realidade é que a estrutura atual de coleta não está atendendo às necessidades da cidade.
“Temos problemas com caminhões parados e não podemos mais pagar hora extra. Não há nem como fazer um plano de emergência”, salientou. De acordo com ele, as horas extras estavam sendo pagas em exagero, já que, pela falta de veículos, muitos coletores ficavam um bom tempo no pátio, parados e ganhando por fora, à espera dos caminhões retornarem para fazer a limpeza em outros bairros. “Tinha gente que ficava duas horas parada, ganhando extra, esperando o caminhão chegar”, destacou.
Ele explicou que os coletores não fizeram as duas horas extras que tinham direito ontem por falta de veículo.