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Ensino médio poderá ter mais aulas

Da Redação
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Até o próximo domingo, dia 23, os diretores de todas as escolas da rede estadual paulista definirão, através do voto, o currículo que será adotado neste ano para o ensino médio. A eleição será feita através da Internet e, na prática, os diretores dirão se aceitam a proposta da Secretaria de Estado da Educação de aumentar de 25 para 30 horas a carga de aulas e como será a divisão deste tempo extra entre as disciplinas. O Estado tem hoje 3,4 mil escolas com ensino médio e 1,6 milhão de alunos matriculados nestas séries.

Caso seja adotada, a mudança atingirá apenas os alunos matriculados no período diurno, que passariam a ter seis ao invés de cinco aulas por dia. A justificativa da secretaria é que os alunos do período noturno trabalham e não dispõem de flexibilidade de horário. Por isso, eles permanecem com suas quatro aulas diárias e carga semanal de 20 horas. Para participar da eleição, o diretor precisa acessar o site www.educacao.sp.gov.br, no link “Pesquisa de Matriz Curricular do ensino médio”.

Em Bauru, a mudança atingiria a maioria dos alunos do ensino médio matriculados no ensino médio regular. Segundo dados da Delegacia Regional de Ensino referentes a 2004, a cidade possui 7.033 alunos matriculados em período diurno, contra 5.385 no noturno. Há ainda outros 3.855 alunos do supletivo que, por freqüentarem as aulas à noite, também não seriam afetados. A Delegacia não informou o número de professores ligados ao ensino médio.

Segundo a Secretaria da Educação, serão investidos R$ 90 milhões para implementar as mudanças e reverter o que foi alterado em 1998 pelo governo Mário Covas que, na gestão da secretária Rose Neubauer, determinou a redução da carga horária do ensino médio, que passou de seis para cinco aulas diárias, mas com duração maior - de 50 para 60 minutos

Apesar de não participarem diretamente do processo de votação, os professores da rede estadual serão consultados por seus diretores, segundo garantiu a dirigente regional de Ensino, Vera Nilce Lüdke Jarussi. Ontem, ela promoveu diversas reuniões com supervisores de ensino, que ficaram encarregados de orientar os diretores na votação. “O importante é os professores serem consultados”, reforçou Jarussi.

Em algumas unidades, inclusive, os diretores já agendaram reuniões para este debate. É o caso da Escola Estadual “Prof. Luiz Castanho de Almeida”, na Vila Falcão, onde a diretora Jacy Amantea Mogone marcou para hoje um encontro com os professores. Em contatos preliminares, conta Mogone, alguns deles já teriam se manifestado favoravelmente ao aumento da carga horária.

A diretora acredita que a medida, caso adotada, deve melhorar a qualidade de ensino. Ela rejeita, por outro lado, problemas de caráter administrativo com a nova rotina. “Será necessária uma reorganização interna e mais disciplina nos horários. A mudança é possível, basta ser pensada e organizada”, diz Mogone.

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Chance a professores

A dirigente regional de Ensino Vera Nilce Lüdke Jarussi acredita que a mudança curricular, caso seja aprovada, poderá representar uma oportunidade a mais para o professores da rede e até mesmo aos que não são titulares de cargo. Segundo ela, novas disciplinas podem ganhar espaço na futura grade. Em função disso, Jarussi admite até a possibilidade de abertura de um novo concurso para efetivação de professores.

Ela lembra que o processo de atribuição de aulas começa no próximo dia 31, uma semana após o encerramento da votação. Apesar disso, Jarussi destaca que o objetivo prioritário da nova proposta é aumentar a quantidade de horas que o aluno permanece na escola. “Quanto mais aula, melhor”, defende a dirigente.

Atualmente, há quatro aulas semanais de português e literatura, quatro de matemática e, em média, duas para cada uma das outras disciplinas: história, geografia, química, física, biologia e língua estrangeira. Há ainda uma aula semanal para 1.º e 2.º anos do ensino médio e três para o 3.º ano que devem ser usadas para filosofia, sociologia ou psicologia.

Uma das propostas de mudança feitas pela secretaria é incluir uma aula a mais de português, de matemática, de história e de geografia. Os dois primeiros anos do ensino médio teriam duas aulas de filosofia. No 3.º ano, a escola poderá optar por filosofia, psicologia ou sociologia.

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