Sobre a transferência do coronel Mamede para Bauru (“Politicando” de 24/12), o professor Braz Kiatake, em correspondência que me enviou, gostaria de acrescentar alguns detalhes. “Jornais do Rio de Janeiro noticiaram o fato dizendo que, como punição, o coronel Mamede foi transferido para Bauru, no longínquo sertão do oeste (idéia que os cariocas faziam da localização de nossa cidade e região).
Ainda a propósito do coronel Mamede, este era o escolhido do general Castelo Branco para substituí-lo na Presidência da República. Castelo Branco preparou cuidadosamente o caminho para que o general Mamede o sucedesse, afastando-o do foco político. Levando-o para o STM e mais tarde nomeando-o para o Comando Militar da Amazônia.
Quase às vésperas do processo sucessório, levou-o para o estratégico cargo de comandante da Vila Militar, o mais importante do Rio de Janeiro. Contudo, não contava com o gesto inusitado de Costa e Silva que, de férias na Europa, se lançou candidato à sua sucessão.
Mais tarde, o general Mamede, perguntado porque também não se lançara candidato, ele simplesmente respondeu: “Para não dividir as Forças Armadas!”
Na verdade, foi uma perda irreparável para o Brasil que o sucessor de Castelo Branco não tenha sido o general Mamede. Ele era um democrata convicto e estava preparado para reconduzir o Brasil à democracia, logo depois de Castelo Branco”, conclui o professor...
Contada por Irineu Azevedo Bastos