Economia & Negócios

Transporte escolar exige negociação

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

O mercado livre do transporte escolar em Bauru exige pesquisa e contrato bem discutido entre as partes. A orientação é do coordenador do Procon de Bauru, Silvio Orti. De acordo com ele, como não há um órgão regulador desse segmento, a negociação tem de ser feita com muito cuidado e atenção.

“Do valor a ser pago à prestação de serviço nas férias, tudo deve ser bem discutido antes da assinatura do contrato”, frisa.

O transporte escolar na cidade é vistoriado e fiscalizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que fica responsável por aferir as condições do veículo e a regularização dos condutores. “Todos os anos, nós fazemos o recadastramento dos transportadores e verificamos as condições de trabalho deles”, explica Waldomiro Fantini Júnior, diretor de Transportes da autarquia.

No entanto, quando o assunto é preço, ele é taxativo: “Não entramos nesse mérito da questão”, diz.

Segundo ele, o valor a ser cobrado é determinado pelo próprio mercado. “Alguns condutores já requisitaram que a Emdurb tabelasse esse serviço, mas ele é muito relativo e fica difícil determinar valores”, salienta o diretor.

De acordo com ele, o preço a ser cobrado depende muito da rota de cada transportador e da distância percorrida. “Ele precisa fazer um cálculo de quanto vai gastar com combustível e traçar a logística desse transporte”, frisa.

A média de preços pesquisada pela reportagem varia de R$ 60,00 a R$ 90,00 por mês. Mas há casos que o valor a ser pago ultrapassa esses dois parâmetros. A dona de casa Vera Cristina Cardoso, por exemplo, conseguiu negociar, até o ano passado, o total a ser pago pelo transporte da filha. Como a sobrinha também ia na mesma perua, elas conseguiram baixar o valor de R$ 60,00 para R$ 55,00 cada uma. “Para este ano, acho que não vamos conseguir manter esse valor. Eles já avisaram que vai para R$ 70,00”, informa.

Outra mãe de aluno, que preferiu não se identificar, conta que ao cotar preços para o transporte dos filhos, ficou assustada. “Chegaram a me pedir R$ 120,00 para levá-los do Parque dos Sabiás até o Jardim Estoril”, salienta.

Esse preço se equipara à média cobrada em cidades de maior porte que Bauru, como Guarulhos, por exemplo. A secretária Cleide Nunes de Souza, que mora na Grande São Paulo, informou que vai pagar R$ 100,00 para que o filho seja levado para a escola, que fica a uma distância de aproximadamente cinco quilômetros da sua casa. “Mas, por aqui, esses valores variam muito. Pode chegar a até R$ 150,00”, salienta.

Valor global

Silvio Orti, do Procon, alerta os pais para ficarem atentos não só a preços, mas à prestação de serviço de modo geral. “Como o condutor estará lidando com um bem de inestimável valor, que é o filho da pessoa, é preciso verificar cada detalhe criteriosamente”, ressalta.

Pontualidade, segurança, estado de conservação do veículo, educação e zelo do motorista são alguns dos itens a serem observados antes de fechar um contrato.

Outro ponto que deve ser discutido bem entre as partes é com relação ao modo de pagar. “Muitas dúvidas que chegam ao Procon são com relação aos meses de férias: janeiro e julho”, diz Orti.

De acordo com ele, os pais sempre questionam se devem ou não pagar esses dois meses, já que o serviço não estará sendo prestado nesses períodos.

O coordenador do Procon esclarece que, se o contrato tiver sido fechado para o ano inteiro, é inevitável arcar com despesas nas férias. “A maioria dos condutores passam para os pais o valor total do transporte durante o ano. Esse total é diluído em 12 parcelas durante o ano, por isso, há a necessidade do pagamento em julho e janeiro”, destaca. Mas tudo deve estar escrito no contrato, segundo Orti.

O condutor de transporte escolar Celso Ravanini explica porque é importante ter esse rendimento nesses períodos de férias. “Em janeiro, por exemplo, é quando mais pagamos taxas referentes à regularização do veículo e de nossa documentação.”

Principalmente com a manutenção do veículo. Ravanini lembra que eles rodam uma média de oito horas por dia e que as condições das ruas de Bauru acabam contribuindo para danos freqüentes nas vans. “Andamos por ruas bem esburacadas e temos de ter mais cuidado.”

O condutor Carlos Roberto de Albuquerque diz que nem sempre é possível repassar aumento de preço para os pais. “Procuramos acompanhar a alta do combustível, mas muitas vezes temos de segurar essa diferença sem repassá-la para os pais porque sabemos que é complicado”, salienta.

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