Política

Diretoria de Ensino descarta desativação do Ernesto Monte

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A dirigente regional de Ensino de Bauru, Vera Nilce Ludke Jarussi, descartou ontem a desativação da Escola Estadual Ernesto Monte para que o prédio seja cedido à prefeitura. Segundo ela, a lei municipal que doou o terreno da unidade escolar para a Fazenda do Estado impede a instalação de repartições administrativas no imóvel.

O prefeito Tuga Angerami (PDT) anunciou a intenção de transformar o prédio da escola em extensão do Palácio das Cerejeiras na semana passada. A proposta foi apresentada a ele pelo vereador João Parreira (PSDB), que se comprometeu a entregar ofício com a solicitação para a Secretaria de Estado da Educação.

Jarussi explica que o terreno do Ernesto Monte foi doado à prefeitura por Paulo Valle e pelos irmãos Regis, em 1936. Eles queriam que uma unidade escolar fosse construída no local. Cinqüenta anos depois, durante a primeira gestão de Tuga, a Câmara Municipal aprovou a lei nº 2.714, que formalizou a transferência da área para o Estado.

A dirigente de Ensino destaca que o parágrafo único da lei determina que a destinação original do imóvel não pode ser alterada, mesmo que em parte. O texto também deixa claro que o prédio não pode ser utilizado para receber repartições burocráticas ou administrativas.

Jarussi afirma que apresentará cópia da legislação ao secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, quando for consultada a respeito da cessão do imóvel. “Caso o fechamento da escola ocorra, o terreno terá que voltar para os antigos donos”, comenta.

Ela diz que não há motivos para se pensar na desativação do Ernesto Monte. “A escola foi e está sendo equipada pela Secretaria da Educação para promover melhor a inclusão digital dos professores e alunos. Temos, dentro da unidade, a gestão coletiva e o Programa Escola da Família, tudo isso funcionando muito bem, além de algo importante, que é o ensino de qualidade”, argumenta.

A dirigente de Ensino acredita que a unidade vem cumprindo o seu papel ao longo das últimas décadas. “Como educadora, sou totalmente contra o fechamento do Ernesto Monte. Durante todos esses anos, a escola sempre proporcionou a inclusão dos alunos ao mundo da cultura, ciências, artes e trabalho”, destaca.

Quando anunciou a intenção de aproveitar as instalações do Ernesto Monte, Tuga deixou claro que só levaria a idéia adiante caso recebesse sinal verde do secretário da Educação. Segundo ele, a utilização do prédio iria gerar uma economia mensal de R$ 50 mil, valor gasto atualmente com o aluguel dos imóveis que abrigam órgãos da administração municipal.

A possibilidade do Ernesto Monte deixar de ser escola gerou críticas por parte de professores, estudantes e ex-alunos. A direção da unidade também se mostrou radicalmente contra a proposta.

Tuga afirma que alunos e professores não seriam prejudicados, pois poderiam ser transferidos para outras escolas localizadas na região do Ernesto Monte, como o Rodrigues de Abreu e o Christino Cabral.

O vereador João Parreira pretende entregar o ofício com a solicitação do prefeito para o secretário da Educação no início do próximo mês. Ele espera contar com a ajuda do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) para agendar o encontro.

O tucano acredita que a legislação municipal pode ser alterada para que o prédio seja ocupado pela prefeitura. “Se a Secretaria do Estado decidir ceder o imóvel, podemos modificá-la”, argumenta.

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