Regional

Será implantado em Botucatu núcleo de pesquisa aeroagrícola

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Foi assinado ontem na Delegacia Federal de Agricultura, em São Paulo, três termos de cooperação para o fortalecimento da aviação agrícola brasileira. Um dos termos cria o Núcleo de Tecnologia Aeroagrícola de Botucatu, que tem como objetivo dar um impulso no desenvolvimento de pesquisas direcionadas a aprimorar os aviões produzidos pela Neiva e torná-los aptos no combate a incêndios.

Atualmente, a empresa (subsidiária da Embraer) responde por quase 80% da frota de aviões agrícolas de pequeno porte (representada pelo avião Ipanema) utilizada nas plantações em território nacional. As pesquisas ajudarão não só no aprimoramento dos equipamentos da aeronave, mas também na qualidade da pulverização.

Botucatu se transformará também em um centro de pesquisa direcionado ao combate a incêndio em áreas reflorestadas e de proteção ambiental. Cerca de 70% da região de Botucatu é composta por área reflorestada. Uma das possibilidades, talvez a principal delas, é transformar o Ipanema em um avião apropriado para esse tipo de serviço. Além dele, outros aviões nacionais também serão testados no combate a incêndios.

Estarão envolvidos nesse trabalho pesquisadores da Neiva, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu; Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba; Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama); e a prefeitura local.

Segundo o prefeito Mário Ielo (PT), o município se comprometeu a construir uma pista para testes no Aeroporto Estadual Tancredo Neves, ao lado da Neiva. Será uma pista de terra, mais curta do que a pista asfaltada, que normalmente é utilizada para pousos e decolagens. “O Ipanema é uma aeronave que não necessita de muito espaço. Ela sobe e desce com facilidade”, disse Ielo.

A formação do núcleo de pesquisas foi comemorada também pela Neiva. O diretor-gerente da empresa, Acir Padilha Júnior, disse ontem que essa iniciativa “vai aglutinar pesquisadores e recursos”, o que permitirá o desenvolvimento de novas tecnologias na área de pulverização aeroagrícola.

“Essas tecnologias, nós temos todo o interesse em utilizar nas aeronaves para oferecer um produto final de maior performance para o mercado”, revelou.

Aos poucos, Botucatu vai se consolidando com um importante centro de referência para a aviação nacional. Além de possuir a principal fábrica de aviões agrícolas do País, passa a contar com esse centro de pesquisas, cuja sede será na Faculdade de Ciências Agronômicas, e ainda se prepara para receber em agosto dois congressos de tecnologia aeroagrícola - um nacional e outro com países do Mercosul. Eles serão realizados simultaneamente no aeroporto da cidade.

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