Já estávamos plenamente inseridos na imprensa e, designados para a chefia da sucursal de A Gazeta Esportiva - SP, passamos a nos deslocar nas manhãs dos domingos para a deliciosa Piscina Recreio, a fim de cobrir as competições de natação organizadas e promovidas pelo bom amigo Jesus Arenas, dinâmico diretor aquático da Liga Bauruense de Esportes. E logo nas primeiras reportagens ficamos conhecendo uma menina, nadadora desde os 14 anos, mas que gostava imensamente de dançar. Era irmã do Jesus. Tinha três nomes - Valentina Rosali Arenas -, mas para as colegas ou companheiras era simplesmente Sali, apenas Sali. Bonito, né?... Contudo, o tempo passou célere, ela casou-se e, então, passamos a cruzar os nossos caminhos mui raramente, porque, aproveitando sua habilidade desportiva, deixou a natação da Recreio e passou a servir à cidade dando aulas nos lagos de clubes e do Serviço Social da Indústria. E não parou aí pois, em 1980, montou sua primeira academia de ginástica rítmica, saltando, depois, para a de danças. Voltamos a ter notícias suas somente há poucos meses, quando o marido, advogado Gino Bobra, veio à redação do JC para anunciar algo. O que seria? A nota de encerramento das atividades da academia, posteriormente mais divulgada mercê da entrevista que o simpático casal concedeu ao “melhor jornal do nosso mundo?” Sabemos lá, mas a verdade é que finalmente a bondosa amiga reapareceu, falando e satisfazendo nossa expectativa através de detalhes significativos de sua caminhada profissional e social, no decorrer da qual ampliou seu largo círculo de amizades. “Muitos alunos e alunas que passaram por nossas mãos e influências nas mais variadas atividades, nadando e dançando, acabaram se formando professores e, hoje, transformaram sua paixão em profissão ou mesmo devoção”, desabafa Sali lembrando de sua longínqua escola. Saudade, quanta saudade, deve sentir a mestra dos áureos tempos da Piscina Recreio, Bauru Tênis Clube, Sesi e demais, bem como dos 25 anos em que, na memorável academia, ajudou a romantizar os corações de tantos namorados através daquele “dois pra lá, dois pra cá, que intitula a entrevista do JC.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Em cada pranto que se enxuga faz-se alguém mais feliz. Em cada ato de fé canta-se um hino à vida. Em cada sorriso que se dá planta-se alguma esperança. Em cada espinho que se finca machuca-se algum coração”.