Economia & Negócios

Consumidor é refém de 'maquiados'

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Sem saída. É assim que muitos consumidores se sentem ao se depararem com produtos “maquiados” no comércio. Esse tipo de mercadoria é aquela na qual a pessoa paga o mesmo preço por uma quantidade menor, prática que virou “moda” entre as grande empresas.

O técnico de computador José Luiz Silveira de Medeiros conta que se sente lesado toda vez que leva para casa um produto com essa característica. “Eu sei que estou sendo enganado, mas não tem como não comprar”, ressalta.

Há “maquiados” em quase todas as prateleiras do supermercado: de sabão em pó a absorvente feminino, de chocolate a papel higiênico. Essa prática começou há cerca de cinco anos e foi se espalhando entre as empresas. Em vez de aumentar preços, elas usaram a tática de reduzir a quantidade, mantendo o mesmo valor do produto. Com isso, o consumidor sai perdendo, pois pensa estar levando o mesmo produto para casa, mas adquire menos.

Medeiros salienta que ele tem o costume de verificar a embalagem do produto detalhadamente e que, por isso, nunca foi enganado. “Eu tenho o costume de comparar preço, olhar data de validade e peso. Mas são poucas pessoas que agem assim. A grande maioria é lesada sem perceber”, destaca.

A funcionária pública Neide Rodrigues Vicente, por exemplo, diz que percebeu as mudanças que ocorreram em alguns produtos; outros acabaram passando batido. “Tem alguns que comprei pelo hábito, mas não vi se tinham uma quantidade menor”, destaca.

Ela diz que considera um absurdo esse tipo de atitude por parte das empresas. “É uma falta de respeito com o consumidor, principalmente aqueles que são clientes assíduos da marca”, frisa.

Embalagem

Visando esclarecer o consumidor sobre o disfarce da majoração de preços, o Ministério da Justiça baixou uma portaria, em janeiro de 2002, que estabelece regra para informação ao consumidor sobre as mudanças ocorridas na quantidade dos produtos.

Depois dessa decisão, o sub-gerente de uma rede de supermercados de Bauru, Valdecir Alves da Silva, conta que ficou mais fácil saber quando o produto está sendo vendido abaixo de sua quantidade. “Pelo menos, o consumidor mais atento tem condições de avaliar o que está comprando”, salienta.

Ele diz que o supermercado para o qual trabalha boicotou muitas mercadorias “maquiadas”. “Nós deixamos de comprar muita coisa que estava irregular, pois não queríamos que nosso cliente se sentisse prejudicado.”

Agora que há a indicação na embalagem, Silva salienta que é o consumidor quem deve tomar a decisão de boicotar ou não o produto “maquiado”. “As pessoas devem ficar atentas ao fazer a compra e observar se a quantidade corresponde ao que ela estava acostumada a pagar”, diz.

Pressão popular

Alguns produtos já ficaram institucionalizados pela quantidade menor de suas embalagens. Por exemplo, embalagens de papel higiênico. Antes os rolos vinham com 40 metros, agora a grande maioria contém 30 metros.

Outros diminuíram a quantidade por um tempo, mas, por força da pressão popular, tiveram de voltar ao tamanho original. É o caso do sabão em pó. “Os fabricantes chegaram a vender embalagens de 900 gramas, mas os consumidores rejeitaram e eles acabaram voltando a comercializar as de um quilo”, destaca Silva.

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