Na maioria das escolas públicas e privadas a volta às aulas começou. Além da ansiedade de retornar à escola após meses de férias, existem muitos alunos que por motivos diversos vão estudar em um novo local. É nessas horas que surge uma certa insegurança relacionada às surpresas que podem aparecer.
Quem está chegando em um novo ambiente, não sabe ao certo como se comportar, como é a estrutura da nova escola e, principalmente, como será aceito no novo círculo de colegas. Aqueles que recebem um novo aluno na classe, muitas vezes não percebem a dificuldade de relacionamento do companheiro e demoram para fazer a acolhida. A melhor dica para quem está chegando ou para quem está recebendo é dada pelo aluno Tiago Gomes Cabana, 11 anos, que já mudou de escola por cinco vezes e agora vai para um novo colégio: “Eu procuro pensar o que eu gostaria que meus colegas fizessem se estivessem no meu lugar. A gente precisa se colocar no lugar do outro, assim fica fácil ajudar”.
E o caminho é este mesmo. Às vezes, o novo aluno é mais tímido e não se sente à vontade em participar das brincadeiras ou mesmo sentir-se tranqüilo em meio a tanta gente nova. É sempre bom lembrar que para quem chega, tudo é novidade: a escola, os professores e os amigos.
O JC Criança conversou com uma turminha que já passou por essa dificuldade e também com alunos que vão enfrentar a mudança ainda neste ano. Os mais comunicativos, normalmente se integram com rapidez ao novo grupo. Já os mais acanhados têm dificuldade.
As escolas e educadores têm um papel muito importante nesses dias. Alguns colégios fazem o dia da acolhida, em que todos os novos alunos são recepcionados e apresentados ao novo espaço. Outras escolas deixam a critério de cada educador. E há ainda entidades educacionais que não fazem nada de especial nos primeiros dias de aula.
Os irmãos João Gabriel Faustino Nascimento, 12 anos, e José Felipe, 10 anos, no ano passado, tiveram a experiência de freqüentar um novo colégio e foram muito bem recebidos. “Eu estudava em uma escola pública e mudei para um colégio grande, que eu não conhecia. No começo eu fiquei um pouco inseguro, mas a acolhida foi muito legal. Eles levaram todos os novos alunos para conhecer os professores e na hora do intevalo, os alunos ‘velhos’ ficaram responsáveis por nos mostrar o prédio do colégio. Ficou muito mais fácil”, lembra João Gabriel, que agora vai cursar a 5.ª série.
O que ele achou bastante diferente foi o número de alunos na sala de aula. “Antes, tinha uns 35 alunos na minha classe, aí mudei e éramos em 24. No começo eu era mais tímido, mas passou um tempinho e comecei a me sentir na minha escola. Só às vezes dava saudade, porque eu gostava da turma.” Hoje, João Gabriel conta que conhece todos os alunos do colégio, principalmente os da 4.ª série para cima.
José Felipe também foi acolhido com bastante carinho e hoje considera que possui muitos amiguinhos na escola. “Eu já estou com saudade da escola, quero desenhar”, lembra o garoto. Para a mãe da duplinha, Edna Aparecida Biroli Nascimento, 38 anos, a mudança foi necessária, mas bastante positiva. “Eles ficaram satisfeitos”, comenta.
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O João Pedro Libório Godoy tem 10 anos e vai passar por várias mudanças a partir de amanhã, quando as aulas de sua nova escola começam. “Além de um novo colégio, vou para a 5.ª série, com mais professores e responsabilidades.” Ele lembra que antes estudava em uma turma de apenas oito alunos e agora serão 30. “Eu não estou nervoso, só quero começar logo, porque gosto de ir à escola, de ler. Penso que vai ser bem diferente, porque é um colégio maior. Vou ter que me esforçar mais.”
João Pedro lembra dos amigos que recepcionou em sua antiga escola. “Quando chegava um novo aluno, a gente sempre procurava brincar, convidava para jogar, assim ele já se envolvia na turma.” Ele sabe que no novo colégio as coisas serão diferentes. “Uma turma grande, vários professores, a atenção do professor fica mais dividida. Se vira bagança, então...”
A mãe de João Pedro, Susana Nogueira Libório Godoy, 39 anos, comenta que foi muito importante considerar a opinião do filho no momento de escolher o novo colégio. “A gente conversou bastante, pensamos em várias opções. Busquei um local onde conhecia o coordenador pedagógico, pois saberia que teria diálogo com a escola, o que é mais fácil em escolas menores.” Ela comenta que os primeiros dias de uma criança em uma nova escola são muito importantes, pois pode despertar seu interesse ou reduzi-lo. “Não quero que meu filho deixe de sentir prazer em ir à escola. Ele gosta de ler, de estar com os amigos no colégio, gosta das atividades, de futebol... Escola tem que ser prazerosa. Não precisa ficar falando em vestibular.”
Mudanças positivas
Os irmãos Tiago Gomes Cabana, 11 anos, e Mateus, 8 anos, mudaram de escola no ano passado e têm um olhar bastante sensível para esse momento. A mudança ocorreu para facilitar a vida dos pais, que trabalham e precisavam levar cada filho em um horário diferente para a escola. “Meu marido ia buscar o Tiago e já estava na hora de levar o Mateus”, lembra Francisca Tereza Gomes, 50 anos. A dupla concorda ao dizer que foi muito bem acolhida. “No colégio, fizeram uma boa recepção e nós ganhamos novos amigos”, lembram.
O Tiago conta que não teve tempo de perceber as “panelinhas” na classe. “Eu já entrei em uma panelinha”, brinca. Comunicativo, ele fez amizade com rapidez e hoje não tem dificuldade em se relacionar com os novos alunos. O Mateus conta que apesar de ser “conversador”, não é do tipo atirado e não entraria em uma brincadeira se não fosse convidado. “Eu iria esperar alguém me chamar.” Já o irmão, não resiste: “Se não me convidam, eu peço para participar do jogo ou da brincadeira.”
Eles sugerem a hora do recreio como um bom momento para acolher os novos amigos, além dos trabalhos em grupo. O Tiago lembra da primeira vez que mudou de escola, aos 4 anos. “Achei legal, porque meu pai me levou antes na escola para conhecer. Assim eu fui perdendo o medo e depois comecei a conversar.”