Os proprietários de terrenos que tornaram-se depósitos de lixo são responsáveis pela limpeza da área, sob pena de arcarem com multas lavradas pela administração municipal. Como o acúmulo de matéria orgânica pode resultar na transmissão de doenças como a leishmaniose, dengue, febre tifóide e hepatite A, além do ataque de cobras e escorpiões, até a Secretaria Municipal de Saúde pode autuá-los.
“Dependendo da gravidade e da reincidência, a autuação varia entre R$ 400,00 e R$ 2 mil. Quem joga, se for preso em flagrante, também é multado no mesmo valor. É uma falta de responsabilidade e de cidadania. A pessoa tem de pensar que ela está atraindo doenças para ela mesma”, frisa Maria Helena Abreu, diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde.
O problema também está na mira da Secretaria Municipal do Planejamento, que recebe diariamente uma média de seis reclamações referentes a terreno com lixo. Nesses casos, os responsáveis pela área são obrigados a desembolsar cujos valores chegam a 10% do valor venal do imóvel.
“Mesmo assim, é uma situação crônica. Estamos desenvolvendo campanhas de combate à leishmaniose embasada na questão do lixo. A implantação da coleta seletiva em toda a cidade iria nos ajudar muito”, acrescenta Abreu. Atualmente, ela abrange 70% da cidade, por onde uma equipe com oito funcionários da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) percorre para prestar informações de casa em casa.
“Três caminhões passam por esses bairros para fazer a coleta. A reciclagem sofrerá uma reestruturação neste ano. Os catadores de lixo estão competindo conosco. Antes recolhíamos 120 toneladas (de recicláveis), hoje não chega a 40”, diz o titular da pasta, Carlos Barbieri. De acordo com ele, a idéia é organizar esses trabalhadores em cooperativas capazes de comercializar os produtos sem intermediários.
Até lá, o lixo continuará passível de ser desvirtuado, concorda o diretor de limpeza pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Jorge Monteiro.
Serviços
Informações sobre o horário da coleta domiciliar realizada nos bairros podem ser obtidas por meio do telefone 0800994599. Já os interessados no programa de reciclagem devem procurar a Semma na avenida Nuno de Assis, 14-60, Jardim Santana.