Tribuna do Leitor

O REMÉDIO INEFICAZ


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“As dificuldades domadas são oportunidades conquistadas” - Winston Churchil

Nessa semana, o Banco Central, através do Copom (Comitê de Política Monetária), voltou a elevar os juros básicos da economia brasileira pela quinta vez consecutiva, passando de 17,75% ao ano para 18,25%, indicando que a trajetória de alta pode não ter acabado, para desespero dos brasileiros que assistem a essa rotina há muito tempo.

Não vou me perder em análises macroeconômicas nem tampouco vou me dar ao luxo de tentar entender os motivos técnicos que levaram os “gênios” do Copom a mais uma vez sacrificarem a população com essa decisão. Vou me prender aos fatos que estão ao nosso alcance e demonstram claramente a ineficácia dessa decisão equivocada e totalmente desnecessária.

Ao longo dos últimos tempos, a justificativa do pessoal do BC para manter os juros em patamares estratosféricos é tentar conter a espiral inflacionária, mas quando a inflação estava sob controle, os juros estavam muito acima do razoável.

Enquanto isso, os banqueiros agradecem aos tecnocratas e riem á toa de toda nossa população, elevando os cheques especiais para quase 200%aa e conseguindo obter lucros inaceitáveis para suas instituições. O custo de uma conta bancária no Brasil é algo que beira o crime contra a economia popular, de tão exorbitante e sem que nada de tão significativo seja dado em troca aos correntistas.

Mas voltando à decisão dos tecnocratas engravatados do BC, o que mais causa espanto é que embora a alta dos juros básicos seja para conter o dragão da inflação, nosso país tem a segunda pior performance da combalida e pobre América do Sul. Pasmem, nossa inflação é maior que a da Bolívia, Peru, Paraguai, etc. Como? Se a população e os empresários são obrigados ao sacrifício de viverem com taxas absurdas de juros ao buscarem empréstimos ou financiamentos, além de ficarmos no “vermelho” do cheque especial por muito mais tempo do que gostaríamos, como podemos ter um desempenho pífio abaixo de países com economias muito menores e até insignificantes perto da brasileira.?

Quando oposição, Lula e seus seguidores discursavam contra essa política injusta e perversa que hoje praticam e defendem. Então fica para mim a inequívoca impressão de que após terminar seu governo, jamais poderei confiar em outro pretendente ao Palácio do Planalto. Pois se o operário que sentiu na pele durante vinte anos todo esse processo maquiavélico de extorsão da classe trabalhadora agora compactua com essa ciranda de juros, não posso acreditar em mais nenhuma liderança nesse nosso país que um dia disseram não ser sério.

Os economistas governistas claro terão inúmeras razões para acreditar nessa prosopopéia oficial, mas como não sou economista e minha conta mais parece a bandeira da China, creio estar sendo vilipendiado por mais essa equipe de burocratas sem inteligência que dominam as coisas da economia nacional.

E fica claro que a decisão de manter os juros no topo do Aconcágua não altera o estado de total abandono em que estão as nossas estradas, nossos hospitais públicos, nossa rede de esgoto e água potável, nossos portos e ferrovias. Ou seja, não se faz nada na economia a não ser brincar de aumentar taxa de juros desde os tempos da ditadura até os dias atuais de pseudodemocracia. (Rafael Moia Filho)

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