A cena de caramujos gigantes africanos rastejando por troncos de árvores, hortas, jardins, quintais, paredes e ruas já foi incorporada ao dia-a-dia dos moradores de pelo menos 75 dos cerca de 415 bairros de Bauru. No entanto, ninguém descarta a possibilidade da “invasão” ser ainda maior.
A incidência de queixas, que neste ano pode ser considerada uma tsunami se comparada às reclamações registradas há dois anos, respalda a suspeita. Se até 2003 elas eram esporádicas, atualmente a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) recebe por dia cerca de 20 notificações das mais diversas áreas.
“O problema está mais concentrado na região Oeste, onde estão situados 55.089 imóveis. Só lá calculamos 5.881 terrenos baldios (espaços vazios)”, diz o titular da Semma, Carlos Barbieri. Fazem parte da região Oeste bairros como a Vila Falcão e a Vila Nova Esperança, áreas compreendidas entre a avenida Castelo Branco e a rodovia Marechal Rodon.
“A situação está crítica aqui no Bauru 16. Temos uma grande quantidade de área verde. A população joga sacolas com lixo e galhos de árvore. Agrava o problema. Depois que chove, os caramujos começam a sair e ficam andando pela calçada e ruas”, comenta o presidente da Associação de Moradores do bairro também conhecido como Núcleo Edson Francisco da Silva, Luiz Antonio Alcides.
Para tentar amenizar a situação, ele solicitou à Semma a instalação na sede da entidade de um tambor para coleta dos moluscos. “A população não tinha um ponto de referência para dispensar o bicho”, acrescenta Alcides, para quem outros representantes de bairro já estão adotando a mesma iniciativa.
Se ele estiver correto, a vida da dona de casa Denah de Melo será facilitada. Moradora do Bela Vista, bairro vizinho à região Oeste, ela não sabe onde depositar os cerca de 300 caramujos coletados em apenas dois dias, após a devastação de uma roça de feijão e do ataque a um pé de goiaba.
“Tem um lote vazio ao lado de casa. Eles vêm de lá. O proprietário fala que não vai fazer nada. Diz para procurarmos nossos direitos. Depois que chove, chega a ter uns 100 caramujos caminhando pela rua. Muitos ficam nos pontos de ônibus. As crianças catam achando que é bonito. Alguém tem de fazer alguma coisa”, cobra o morador do Jardim Carolina Claudomiro Silvestre, que vem sendo obrigado a conviver com o bicho.
Serviço
As associações de moradores interessadas em dispor tambores para descarte de caramujos devem procurar a Semma. Os voluntários assinarão um termo de compromisso e serão treinados pela secretaria. Informações pelo telefone (14) 3235-1105.