Economia & Negócios

Chuva afeta oferta e preço de verduras

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A entressafra e a elevada umidade do ar decorrente das chuvas de janeiro pedem que o consumidor substitua as verduras por leguminosas nas refeições nesta época do ano. O preço das principais hortaliças estão muito acima do praticado em época de produção regular. A recomendação é do ex-secretário municipal de Agricultura, Seiko Tokuhara, que ontem percorreu com o JC algumas das principais bancas de vendas de folhagens na tradicional feira livre instalada aos domingos nas proximidades da praça Rui Barbosa, na região central.

Os feirantes de verduras estão com muitas dificuldades de oferecer os produtos nesta época. A maioria reúne de cinco a até sete pés de alface para oferecer um maço, ainda assim com qualidade abaixo da normalmente encontrada nas barracas e com preços que chegam a dobrar em relação ao período de poucas águas.

O excesso de chuvas é o vilão do consumidor e o obstáculo do produtor, conta Tokuhara. Na feira livre da região central, os produtos são trazidos da área rural da própria cidade, em setores conhecidos como Barro Preto, Tibiriçá, Barra Grande, Quirilândia, São Luiz e Córrego da Água Parada pequena, que fica após o Instituto Penal Agrícola (IPA). Hortaliças de Agudos e Piratininga também estão presentes no comércio local.

Ana de Camargo Parisi, de Tibiriçá, teve muitas dificuldades para trazer alguns maços de alface. “Há dois meses, a alface estava sendo vendida a R$ 0,80, com boa oferta. Agora está difícil conseguir reunir alguns maços e o preço passou para R$ 1,50”, conta. “Estamos perdendo muito com o exagero de chuvas. A muda não cresce; em geral morre na própria bandeja. Quando salva da bandeja para o canteiro tem mais 28 dias para estar pronta para vender e as chuvas de novo destroem quase tudo”, narra a produtora.

Embora as verduras sejam produzidas o ano todo, a melhor fase de cultivo ocorre entre maio e agosto. “A temporada de chuvas seguidas faz a raiz começar a captar água da superfície. Basta o aparecimento do sol para que as raízes comecem a queimar ou as folhas apresentar manchas. Com a perda de qualidade e a pouca oferta, o preço vai lá em cima”, explica Seiko.

Antonio Penha, que produz em Val de Palmas, confirma o diagnóstico. “Está muito difícil. Com a chuvarada, perdemos uns 80% do que plantamos”, lamenta. Além das verduras, abobrinha, vagem, pepino e jiló também estão sofrendo com o mau tempo. Outro problema é que as chuvas impedem a pulverização destinada ao combate de pragas. “Se pulverizar, perde-se tudo porque a chuva lava a planta”, informa.

A caixa de abobrinha de 18 quilos já chegou aos R$ 25,00, mesmo valor que tem que ser pago por 15 quilos de vagem. Uma caixa de pepino (25 quilos), está sendo comercializada a R$ 15,00. Estes valores estão bem acima do praticado dois meses atrás.

Orientação

Com a previsão de manutenção das precipitações durante pelo menos parte do mês de fevereiro, o prosseguimento na escalada dos preços vai depender da habilidade do próprio consumidor. Seiko Tokuhara orienta as famílias a substituírem as verduras por alguns tipos de leguminosas com boa oferta nas bancas mesmo nesta fase.

“Até o final de fevereiro, alface será luxo nas feiras e na mesa do consumidor. A sugestão é que as folhas sejam trocadas por produtos como o repolho e beterraba até a situação se normalizar. Se as verduras continuarem sendo procuradas mesmo diante da pouca oferta, o preço vai ficar ainda mais alto. É a lei de mercado”, enfatiza.

A situação, conforme sua expectativa, só deve se normalizar a partir de 20 de março. “As mudas que estão sendo geradas agora ainda vão enfrentar as chuvas e teremos uns 30 dias para essas folhas chegarem ainda sob o efeito dessas dificuldades nas mesas. Fevereiro será muito difícil. O consumidor deve comprar o extremamente necessário nesta fase”, opina.

Outra produtora a confirmar as dificuldades de plantio é Diva Marisa Coraçini, da área rural Barra Grande, perto do Jardim Tangarás. “Está destruindo bastante. A alface crespa está a R$ 1,80. Há dois meses, se comprava até por menos de R$ 1,00. Com muita chuva não dá nem para esperar o pé da planta crescer. Tem que colher antes, com tamanho reduzido e com manchas. A perda é superior a 70%”, avalia.

Diva conta que, por falta dos produtos, ficou as últimas três semanas sem comparecer à feira com sua barraca. “Um maço normal de alface tem dois pés. Nós estamos colocando até sete deles para que o cliente tenha alguma opção. Perde-se em quantidade e em venda”, salienta Coraçini.

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