A UNE foi fundada em agosto de 1937, durante a ditadura Vargas. Dentre os seus princípios estava a “proibição expressa da discussão de temas políticos”. Em 1942, época da guerra, esta neutralidade foi “para o espaço”. Havia necessidade dos estudantes demostrarem uma oposição firme ao nazismo.
Nesta época, a UNE ainda não tinha sede. A história registra que os estudantes se reuniam no Restaurante Lamas, famoso pelo risoto de camarão, no Largo do Machado.
No governo Dutra, a UNE se destacou no movimento pela criação da Petrobras. No governo Juscelino, sendo presidente da UNE José Batista Oliveira Jr, nós participamos de um movimento contra o aumento da passagem dos bondes (o preço dobrou: foi de 1 para 2 cruzeiros). Bancos de praia foram colocados sobre os trilhos em frente à sede na Praia do Flamengo 132. Em outros trechos deitava-se de mãos dadas impedindo a passagem dos bondes. A gente ficava com um olho no bonde e outro nos cassetetes dos P.E.
Neste embalo nacionalista, foi criada a União Operária Estudantil contra a Carestia, com o apoio dos Sindicatos, e foi decretada uma greve geral. Como isso favorecia a instalação de um clima golpista, a UNE entrou em acordo com o governo JK e a greve foi suspensa.
Posteriormente, Juscelino retribuiu, mostrando sua formação democrática, por duas vezes. Em 58, na visita do Secretário de Estado Foster Dulles, quando foi estendida na fachada da UNE uma enorme bandeira negra com os dizeres “Go Home Dulles”, e em 1960, com a visita de Eisenhower, quando a faixa era outra: “We like Fidel Castro”.
Excelente político, Juscelino, que no ano anterior tinha rompido com o FMI, ao passar defronte à sede dos estudantes, disse sorridente ao presidente americano que aquilo era prova de que no Brasil havia democracia. E Eisenhower, demonstrando estar contrafeito, mas com habilidade política, respondeu:
- Nós também gostamos dele. Ele é que não gosta de nós.
Frase que o futuro mostraria estar correta... apenas pela metade!
Contada por Rui Bertoti