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Série A2: Pressão não abala Juninho Fonseca

David Cintra
| Tempo de leitura: 4 min

Depois da derrota para o Bragantino, por 2 a 1, sábado à tarde em Bragança Paulista, o elenco nororestino se reapresentou ontem. Foi o segundo resultado negativo do time em duas rodadas pela Série A2 do Campeonato Paulista.

Com isso, o ambiente no clube é visivelmente ruim. O semblante dos jogadores é de seriedade, o relaxamento e as brincadeiras deram lugar à sisudez. Os atletas não se mostravam dispostos a entrevistas ontem.

Após realizar um trabalho físico um pouco mais puxado que o normal, a maioria foi para o vestiário e sem dar entrevistas, enquanto outros formaram uma pequena roda no gramado do campo de treinamento e conversaram. À distância era possível notar que não havia as tradicionais brincadeiras.

O técnico Juninho Fonseca, com o cargo seriamente ameaçado pelo mal início, apenas observou os trabalhos comandados pelo preparador físico Ademir Afonso e o preparador de goleiros Carlos Gallo. Não houve treino tático ontem.

Os rumores de que vá perder o cargo hoje, quando o gerente de Futebol do clube, Celso Zinsly, retorna a Bauru - ontem estava em São Paulo - são cada vez mais fortes nos bastidores. Mas, experiente, o treinador não se mostrava abalado e concedeu uma breve entrevista ao JC. Confira.

JC - A diretoria do Noroeste já falou com você sobre demissão ou deu alguma garantia que ficaria no cargo?

Juninho - Não sei de nada. Mas acho que isso é bem normal, é do do futebol. Os resultados são imprescindíveis e têm que vir rápido e se você não tem resultado, está sujeito a divergência de opinião. Então não tem anda de extraordinário acontecendo. É claro que a gente está sempre no intuito de cumprir o contrato tratado, mas se não tem condições porque os resultados iniciais não dão uma idéia do que pode acontecer no campeonato, não há o que fazer...

JC - Como é seu contrato com o Noroeste?

Juninho - É um contrato verbal. Enquanto estou trabalhando, estou trabalhando. Na hora que não estiver mais trabalhando, o contrato está rompido.

JC - Então a diretoria não passou nada para você?

Juninho - Eu sei que a sensação, a impressão que se tem, é que pode haver uma mudança, mas não foi oficializado nada, tanto que estou hoje aqui trabalhando. Estou aguardando a chegada do Celso (Zinsly) para saber o que ele pretende, se o trabalho continua se vai haver mudanças. Estou preparado para tudo.

JC - De sua parte, você fica, apesar das cobranças?

Juninho - Tranquilo. Não vou dar nenhum sinal de dúvida, o que estou fazendo está sob controle, nós sabemos das dificuldades que temos e que muitas outras dificuldades vão aparecer no decorrer do campeonato. Mas eu não vejo necessidade nenhuma de pedir para sair, está tudo sob controle. Mas de toda forma eu entendo que a situação é preocupante. Mas estou tranquilo, sem problema nenhum.

JC - A que você atribui este mal começo do time no campeonato? Você esperava mais da equipe?

Juninho - O começo é sempre um aprender. No início você tem uma margem muito pequena de informação. Quanto mais você joga, quanto mais você treina, mais informação você tem E às vezes fica o imperativo que pelo fato de não haver vitória o trabalho não foi bom, E nem sempre é assim. Às vezes o trabalho foi bem feito mas não consegue resultado.

O tempo é o senhor da razão. Se tem tempo para conduzir a coisa com mais tranquilidade é melhor. Não tendo resultado, e isso é mais complicado aqui no Brasil que em outros países, a comissão técnica fica vulnerável e mesmo se tiver contrato assinado não significa segurança.

JC - Em vista dos resultados, se você continuar no cargo, vai mexer na equipe para o jogo contra a Matonense?

Juninho - Se formos dar sequência no trabalho, vamos trabalhar na terça-feira (hoje) para o jogo. Quanto a mudanças, não tem nada programado porque não tenho as informações necessárias da Matonense para poder decidir quanto ao jogo.

JC - Que avaliação você faz do time nesses dois jogos?

Juninho - Fica claro que com o resultado negativo você fica limitado em relação ao conteúdo. Mas eu acho que alguns jogadores estão em ótima forma, outros estão melhorando. Alguns jogadores vieram dos juniores para ganhar um espaço e quatro deles já entraram neste último jogo. Então o trabalho está caminhando. É evidente que a “não-vitória” sugere que o trabalho não é bom. Não é isso, acho que o trabalho é bom é forte, é responsável.

JC - Você conversou sobre a situação com os jogadores?

Juninho - Sim. Este é um momento muito delicado, muito sensível, muito fácil de um abalo emocional. Então temos que lidar com calma, não é com gritaria, não é com pressão, não é passando medo que vai reverter esse processo. Isso será revertido com maturidade, com tranquilidade, com segurança.

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