Diz o senso geral que a política de saúde é boa quando há desenvolvimento econômico e recursos financeiros. Ledo engano, pois é justamente o contrário: só haverá desenvolvimento, em qualquer nível, se tivermos um eficiente sistema de saúde, um dos grandes desafios para os novos prefeitos, em todo o Brasil.
Tanto nos países centrais quanto nos periféricos reclama-se da falta de recursos para o setor e as conseqüências são idênticas: AIDS, tuberculose, câncer, doenças circulatórias, causas externas (violência) e, seja nos países pobres ou ricos, as vítimas são principalmente as pessoas menos favorecidas, tudo conseqüência da má gestão.
No Brasil, a saúde é protagonista das políticas sociais criadas pelos governantes. Mas não há redirecionamento dos investimentos na área para o desenvolvimento local, através de políticas públicas saudáveis, com ênfase na intersetorialidade, na participação comunitária e no enfrentamento das desigualdades no setor.
O investimento em saúde deve ser encarado como uma estratégia de redução da pobreza. Atender às necessidades das pessoas, resolver problemas que atingem a população, com recursos sempre escassos, exige confiança política e competência de gestão. O gestor municipal de saúde precisa ter uma visão conjunta do sistema e saber organizar a atenção à saúde para que as ações sejam executadas de modo integrado, nos princípios da intersetorialidade.
Tradicionalmente, os serviços de saúde são organizados pela oferta. A questão fica mais complexa quando esta prestação tem de ser paga, já que isso define uma seleção natural, segundo a renda, e uma classificação hierárquica de estabelecimentos, conforme as tarifas cobradas.
As dificuldades de administração se baseiam no desconhecimento da sua importância logística, da realidade dos valores envolvidos nesse mercado e da dimensão contextual do setor para as outras políticas públicas e do desenvolvimento sustentável. Ficar preocupado apenas com filas, falta de vagas ou coisas do tipo é menosprezar o cerne da questão. É olhar para as conseqüências de um mau gerenciamento, este sim, causador da insatisfação de usuários, consumidores e fornecedores.
Convém lembrar que na agenda dos candidatos às eleições de 2004, o tema saúde esteve presente nas discussões. Em vários municípios, o sucesso ou insucesso na área foi um componente decisivo nos resultados.
O bom administrador sabe que problemas geram oportunidades. Na saúde, o gestor não administrará por esforços e sim por resultados. Eliminará desperdícios ao empregar corretamente as ferramentas de tecnologia de informação, além de reduzir custos e melhorar a qualidade dos serviços prestados.
O gestor municipal deve exigir que o profissional de saúde apresente o diagnóstico de saúde de seu município, um planejamento com objetivos, ações e metas quantificadas, física e financeiramente, para alcançar tais objetivos. Esses dados precisam constar no Plano de Ação do Município, no Plano Plurianual, na Programação Anual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias, na Lei Orçamentária Anual e na Programação Financeira.
Em vez de ficarmos só reclamando de recursos para financiamento da saúde devemos executar ações de gerenciamento profissional para diminuir custos, eliminar desperdícios e otimizar recursos.
O gestor tem de identificar uma consultoria especializada, com profissionais que conheçam e compreendam as organizações e serviços de saúde. Estes precisam ser experientes, capazes de usar metodologias que transformem a organização, processos e indivíduos em agentes de mudanças, indispensáveis ao êxito das organizações de saúde. Profissionais que utilizem metodologias confiáveis para mostrar que a missão de cuidar do mais precioso valor humano, a vida, será sempre um caso de sucesso.
O autor, Lucivaldo N.T. Figueira, é médico e consultor de saúde da Consultoria em Administração Municipal - Conam