O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Renato Purini, descartou ontem a possibilidade da coleta de lixo ser terceirizada temporariamente na cidade. Ele havia manifestado a intenção de contratar uma prestadora de serviços há três semanas, mas depois adiou a assinatura do acordo e agora resolveu descartar a proposta por completo.
A decisão foi anunciada logo após a audiência pública realizada na Câmara Municipal. “Ainda entendo que a terceirização seria uma das opções mais viáveis para sanar um problema imediato, mas em nenhum momento sou autoritário em meus pensamentos. Se a Câmara e a sociedade julgaram que nós podemos aprofundar o debate, assumo a responsabilidade de arcar com os problemas da empresa e irei trabalhar para saná-los”, destacou Purini.
Com isso, a Construtora Marquise, de Fortaleza (CE), escolhida pela Emdurb para assumir a coleta durante 180 dias, não irá mais operar na cidade. A empresa se comprometeu a recolher o lixo gerado diariamente no munícipio cobrando R$ 69,76 por tonelada e chegou a trazer cerca de 10 caminhões para Bauru.
O cancelamento da proposta de terceirização temporária também garante o emprego dos 130 coletores e motoristas da Emdurb, que seriam dispensados com a contratação da Marquise.
O presidente da empresa municipal confirmou, ainda, que a Emdurb passará por ampla auditoria. O grupo que ficará responsável pelo serviço deve ser formado até o início da próxima semana e irá incluir representantes da sociedade, prefeitura e Poder Legislativo. A previsão é que os trabalhos durem 60 dias.
“Vamos avaliar, no menor espaço de tempo possível, as opções que teremos para tornar a Emdurb uma empresa novamente viável. Esperamos verificar tudo o que feito na empresa durante os últimos anos e, ao mesmo tempo, traçar metas para o futuro. Será uma auditoria não apenas contábil, baseada em papéis, mas também técnica. Teremos que verificar, por exemplo, os custos com oficina, que hoje são muito altos”, destacou Purini.
Revisão
O presidente da Emdurb confirmou, ainda, que irá solicitar a revisão do valor que a prefeitura paga por tonelada de lixo recolhida. Atualmente, a empresa recebe R$ 35,00, mas alega que seu custo operacional chega a R$ 76,72.
“O nosso custo é muito alto e a questão é saber se a prefeitura irá aceitá-lo ou se pagará um valor menor, opção que ajudaria a diminuir o nosso déficit sem solucioná-lo por inteiro. São questões que precisam ser conversadas, mas o reajuste precisará ocorrer rapidamente”, argumentou Purini.
O secretário municipal de Finanças, Edmundo Albuquerque, que também participou da audiência, explicou que a prefeitura precisa receber o ofício da Emdurb solicitando a revisão do valor pago pela coleta para depois analisá-lo. Albuquerque adiantou, no entanto, que caberá a Emdurb oferecer o menor preço possível para prestar um serviço de boa qualidade. “A prefeitura não vai bancar uma empresa deficitária”, destacou.
Purini havia proposto a terceirização temporária da coleta alegando que a situação precária dos caminhões de lixo da Emdurb gera gastos excessivos com manutenção e horas extras, responsáveis por grande parte do déficit mensal da empresa, estimado em quase R$ 500 mil. A reação negativa de diversos segmentos da sociedade adiou a implantação da medida e provocou o agendamento de uma reunião pública, ocorrida na Universidade do Sagrado Coração (USC), além da audiência pública realizada ontem na Câmara.
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Casa cheia
A audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal contou com a presença de 13 dos 15 vereadores. Apenas Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) e Rodrigo Agostinho (PMDB), que estavam viajando, estiveram ausentes. A galeria e o plenário do Poder Legislativo ficaram praticamente lotados.
Durante os debates, o vereador Marcelo Borges (PSDB) questionou os R$ 700 mil que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) teria gasto com peças automotivas em 2004. Ele argumentou que um balancete enviado ao Poder Legislativo aponta que esse valor seria bem menor, cerca de R$ 425 mil. As duas partes ficaram de comparar os relatórios para verificar a diferença.
O presidente da Câmara, vereador Toninho Garmes (PSDB), perguntou ao presidente da Emdurb, Renato Purini, quanto custaria a recuperação da frota de caminhões de lixo da empresa municipal. Ele respondeu que esse cálculo ainda está sendo feito.
Representantes de diversas entidades sindicais e da sociedade, além de outros parlamentares, também utilizaram o microfone do plenário para fazer questionamentos a Purini e ao secretário municipal de Finanças, Edmundo Albuquerque. A audiência durou quase quatro horas.