Não tive o privilégio e a honra de ter sido aluno da Escola Ernesto Monte, mas sempre tive por essa veneranda casa de ensino o maior respeito e a mais profunda admiração, por considerá-la um glorioso e referencial patrimônio cívico-cultural da educação em Bauru.. É um dos ícones da educação de nossa cidade e da região. Como educador, nunca concordei com a desativação ou extinção de qualquer escola, mesmo quando seja reduzido o número de alunos caso em que as instalações devem ser oferecidas a outras faixas etárias e atividades culturais; não é o caso desta unidade escolar pois tem efetivadas l306 matrículas para o corrente ano. Considere-se ainda que, além da grande demanda anual de matrículas em virtude do excelente nível de ensino e tradição da escola, grande parte desse alunado, principalmente do período noturno é constituído de jovens e adultos que trabalham no comércio.
Nós, brasileiros, temos uma história relativamente curta sem sabermos, com algumas exceções, cultuar e preservar as tradições e as nossas raízes. Isto posto, sou contrário à desativação dessa escola, mesmo que se conserve em seu frontispício mensagens referentes à sua anterior existência, para ser ocupada por repartições e secretarias do município com o conseqüente remanejamento dos alunos, professores e funcionários para outras unidades, fato que, queiram ou não, criarão e levarão a outros problemas. Mesmo com a ocupação total do prédio, lá não caberiam todas as repartições municipais continuando a necessidade de locações de outros prédios.
E como conseqüência teríamos o desaparecimento da escola e a continuação de locações onerando os cofres municipais, enquanto que em nossa cidades existem inúmeros prédios públicos ociosos das esferas estadual e federal. Tivemos um triste fato em nossa terra que deve servir de exemplo aos governantes atuais; há tempos demoliu-se uma outra veneranda e tradicional escola, refiro-me ao Guedes de Azevedo para a construção de um Shopping e o resultado foi o seguinte: Bauru perdeu o prédio, não ganhou um shopping mas um enorme buraco cercado por tapumes cujo destino tornou-se uma incógnita e um elefante branco.
A meu ver os esforços de nosso prefeito Tuga Angerami, vereadores, deputado PedroTobias e forças políticas deveriam convergir para a solução dos entraves legais e burocráticos que cercam a destinação do majestoso prédio da Praça Machado de Mello, que teve seus dias de glória no apogeu das ferrovias e que está se deteriorando. Não é preciso ser vidente e nem mágico para antever o seu fim se continuar o estado de abandono em que se encontra.
A utilização gradativa da antiga gare que projetou Bauru nos confins deste país, além de dar início à pretendida economia em locações para esta e futuras administrações, viria revitalizar aquela agonizante praça e o comércio. Sabe-se que contra a força política não existem argumentos convincentes no entanto paira no momento uma grande e temerosa expectativa por parte dos professores, alunos, ex alunos e comunidade bauruense em relação ao destino da Escola Ernesto Monte. Que prevaleça o bom senso é o desejo comum!
Joaquim Eliseo Mendes - professor