Tribuna do Leitor

Emdurb - Depois do porre vem a ressaca


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Primeiramente gostaria de dizer que minhas posições não possuem cunho político, nem partidário, que não possuo procuração para defender a empresa ou trabalhadores, nem cargo público. Como todo bauruense, tenho acompanhado os acontecimentos em relação às possíveis demissões de coletores, mecânico e motoristas da Emdurb. Indiscutivelmente, trata-se de uma decisão que acredito ninguém gostaria de tomar, e o que me parece assustador é que em alguns momentos não só a imprensa, o sindicato, alguns vereadores, e, formadores de opinião, passam que não se deve demitir porque não deve. Ora, isso me parece claro que num país onde temos o desemprego assustador, que tem mais de dois milhões de família na miséria absoluta vivendo abaixo da linha da pobreza, portanto, deve-se evitar ações como esta.

No entanto, se faz necessário que observemos o quadro pré-falimentar da empresa. Quando participei na USC da apresentação financeira, acreditem, fiquei estarrecido com o que vi: mais de R$ 24 mil no acumulativo, com R$ 500 mil de déficit mensais, sendo que metade disto está no Departamento de Limpeza Pública. Gente, é necessário que os crítico que se unam e apresentem uma proposta alternativa para o quadro, ou seja, onde, sem que se demita funcionários, deve-se cortar para optar números semelhantes, a curto prazo.

Infelizmente, é do coro que se faz a correia. Acredito que o DLP é o ponto de partida para uma remodelação administrativa que já se desenha, haverá corte no uso de telefone, de veículos, de horas extras, cortes de pessoal de forma menos agressiva em outros setores, não contratação para cargos de confiança que, realmente, não se façam necessários, cobranças judiciais de créditos que a Emdurb tenha a receber.

Escutei que o prefeito Tuga deveria aumentar o repasse à Emdurb. Ora, se não tem dinheiro nem para salário, como vai se aumentar o repasse agora? Ah! Mas vai pagar a empresa vencedora! Só que no meu entender a empresa trabalha com uma frota nova de caminhões, que não estão avariados como os da Emdurb, e mesmo que aumente o repasse eles podem trabalhar um mês dois e voltar a quebrar.

Acredito que esta situação só termina nas barras dos tribunais, onde, de um lado temos o clamor social dos trabalhadores e seus familiares, sindicato, pedindo que não se demita. Só que temos uma lei de responsabilidade fiscal, que obriga o presidente da Emdurb, senhor Renato Purini, a agir com razão e não com emoção (inclusive respondendo com seu patrimônio). Se o juiz mandar que ele não demita, não terceirize, ora, tira dele um caminhão com caçamba carregado das costa, ótimo para todos.

Mas, contudo, outro ponto é quem paga a conta? Quais as ações judiciais que serão tomadas para sabermos por que a emdurb está assim pré-falimentar? Entendo que se olhamos para os últimos presidentes que a Emdurb teve veremos que não é por incompetência. Talvez tenha sido em razão da fragilidade da administração do antigo prefeito, que não possibilitou uma reforma administrativa na empresa (CEIs, CP, cassação de mandato). E deu no que está aí, uma caríssima conta aos cofres públicos.

Ou seja, o desmando de outros prefeitos, que se negaram a demonstrar de forma clara a real situação da Emdurb, que preferiram empregar, nomear sem critério. Não se buscou sequer uma política saneadora internamente nos últimos anos, não houve controle de horas extra, demonstração ao grupo de funcionários a condição da empresa para que eles ajudassem a conter gastos, pois são capazes para isso, um desmando só. Como dizia meu avô: depois da tempestade vem a calmaria, depois do porre vem a ressaca. E que ressaca.

Paulo Roberto dos Santos Amaral - RG 15.511.969-2

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