A segurança do motociclista no trânsito exige mais raciocínio e atenção que habilidade. Exemplo disso é que a concentração, associada ao conhecimento sobre técnicas de condução, possibilita ao piloto antever situações de risco e tomar decisões conscientes.
“De nada adianta você dominar as técnicas para andar de moto se não dirigir concentrado. O bom motociclista é aquele que prevê a emergência e sempre acha que o perigo pode estar na próxima esquina”, considera o piloto bauruense Marcel Sona Cardoso. “Observar e pesquisar, durante alguns segundos, o ambiente e o caminho a serem percorridos para captar possíveis fatores de risco é comportamento prioritário”, ensina.
Por isso, orienta Marcel, é imprescindível ao motociclista não abusar da velocidade e manter “espírito alerta” enquanto guia. “Se ele estiver correndo e, por exemplo, deparar-se com uma mancha de óleo no caminho, fatalmente não terá tempo para reagir e poderá envolver-se em um acidente”, adverte. “O piloto de uma moto precisa conscientizar-se que é muito mais vulnerável no trânsito em comparação com os demais veículos”, enfatiza.
Outro “pecado” que deve ser evitado a todo custo, segundo Marcel, é relaxar na moto. “O motociclista jamais deve rodar olhando demais para os lados ou com uma só mão no guidão. Nessas situações, se ele acertar um buraco na pista, sua chance de cair aumenta 50%”, alerta o piloto.
Ele acrescenta que a postura correta também é essencial para garantir uma direção defensiva eficaz. “Ela tem de ser flexível, mas não relaxada nem dura demais. Isso permite ao motociclista, além de absorver os impactos com segurança, agir rapidamente em uma situação de risco”, frisa Marcel.
Outra providência lembrada pelo piloto é a cautela nas ultrapassagens, principalmente em pontos próximos a cruzamentos de vias. Marcel explica que nessas situações o “mandamento” mais importante é sempre efetuá-las após ter passado estes locais. “Por ser um veículo de porte menor no trânsito, a moto entra mais facilmente nos pontos cegos dos condutores de automóveis. Assim, é preferível reduzir a velocidade e retardar a ultrapassagem para prevenir-se de possíveis fechadas ou conversões dos carros, que podem não ter visto o motociclista”, justifica.
Segundo Marcel, tais atitudes, além de implicar perda mínima de tempo, aumentam a segurança do motociclista no tráfego. “Quantos segundos ele vai perder fazendo isso? Cinco? Não há razões para ter pressa na moto, pois ela já é um veículo naturalmente ágil e fornece condições de você ser rápido sem se expor a riscos”, sustenta o piloto.
A eficiência da frenagem também assume posição de destaque para a segurança ao rodar. Assim como qualquer veículo, a motocicleta não pára imediatamente, fazendo com que o piloto necessite de tempo e distância adequados para frear corretamente. Por isso, devem ser acionados simultaneamente, numa proporção de 60% para o dianteiro e 40% no traseiro de forma progressiva. E, quanto maior a velocidade, maior deverá ser o percentual de uso do dianteiro em relação ao traseiro.
“Uma dica importante é andar sempre com o pé apoiado no pedal do freio traseiro e a mão, com pelo menos dois dedos, na manopla do freio dianteiro. Isso garante agilidade em emergências”, complementa Marcel.
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Condições adversas
A pilotagem em condições adversas - chuva, à noite, em pisos esburacados - também exige do motociclista a mescla de raciocínio com habilidade para safar-se delas com segurança (leia dicas abaixo). O piloto bauruense Marcel Sona Cardoso ensina que, em caso de chuva, é essencial inclinar o menos possível a moto, bem como utilizar os freios. “E isso pode ser conseguido facilmente através da redução da velocidade”, diz.
Já a receita para encarar a “buraqueira” em ruas e estradas é segurar com firmeza no guidão e manter os pés corretamente nas pedaleiras. “E, no caso de um buraco muito grande, é recomendável elevar o corpo, flexionando-o e mantendo-o firme a cerca de 20 centímetros do banco. Assim, a moto amortece o impacto e o piloto está fora dos riscos, como levar um tranco nas costas ou escapar os pés”, esclarece Marcel.
À noite, acrescenta o piloto, é fundamental sinalizar conversões com antecedência e checar as condições dos equipamentos elétricos da motocicleta, como faróis, lanternas e piscas. “Outra providência é rodar apenas com o farol baixo ligado, cujo facho de luz atinge ângulos laterais maiores que o alto, que é o que realmente importa quando se anda na cidade. Além disso, quem tem mania de utilizar o alto pode causar ofuscamento no condutor em sentido contrário e causar acidentes”, enfatiza.
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Fique de olho!
É imprescindível saber reagir diante de situações de trânsito que não dependem do motociclista, como condições desfavoráveis da pista ou do clima. Para isso, conhecer as técnicas, ter precisão nos movimentos, cautela e concentração são fatores importantes para guiar com segurança:
SOB CHUVA
• Tenha consciência que o atrito do pneu com o solo diminui pela metade. Isso significa que o espaço necessário para parar duplica
• Reduza a velocidade e aumente a distância de segurança em relação aos outros veículos
• Redobre os cuidados no início da chuva, momento em que a pista fica mais lisa em razão da poeira e do óleo que formam uma película escorregadia. Aguarde, se possível, o tempo necessário para que a chuva “lave” o piso, melhorando as condições de atrito
À NOITE
• Pilotar à noite exige atenção redobrada, não só pela visão reduzida - cerca de 1/6 em comparação com o dia -, mas também pela alteração na noção de profundidade e pelo ofuscamento causado pelos faróis de outros veículos
• Reduza a velocidade e utilize a luz baixa
• Outra dica é semicerrar os olhos para adaptar a visão mais rapidamente à falta de luz que segue o ofuscamento
• Não olhe diretamente para os faróis dos veículos que vêm na pista oposta
TERRENOS COM ONDULAÇÕES E BURACOS
• Levante-se sobre as pedaleiras, já que os pés e as mãos são as únicas áreas em contato com a moto
• Segure firme no guidão, fique com os joelhos relaxados junto ao tanque e mantenha pulsos e braços prontos para receber os choques.
DERRAPAGENS
• A melhor maneira de controlar uma derrapagem é evitá-la, reduzindo a velocidade ao passar por um local desconhecido
• Mas ao passar por esse tipo de situação, o motociclista deve reagir com rapidez e de forma adequada, mantendo as rodas girando, a aceleração constante e acionar mais o freio traseiro do que o dianteiro, em uma proporção, respectivamente, de 70% e 30%
• Como último recurso, caso a velocidade esteja baixa ao derrapar, o motociclista pode utilizar o pé como apoio para endireitar a moto