O Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa) denunciou ontem que oito funcionários da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru apanharam de internos reclusos na unidade desde novembro até o início deste mês.
As condições de trabalho e a questão da segurança na unidade local foram alguns pontos discutidos ontem, durante assembléia organizado pelo Sintraemfa na Febem local. O evento reuniu mais de 20 funcionários, de acordo com diretor de negociações coletivas do sindicato, Antônio Gilberto da Silva.
Segundo ele, desde novembro, quatro funcionários da Febem de Bauru sofreram agressões leves e outros quatro foram agredidos gravemente por menores infratores reclusos na instituição. Entre eles, o agente de apoio da Febem e diretor-geral do Sintraemfa, Heitor Theodoro. Ele conta que o fato teria ocorrido em 19 de novembro, quando Theodoro tentava separar uma briga interna na unidade de Bauru.
“Havia 12 adolescentes em uma ala e eles foram pegar outro adolescente. No momento eu estava sozinho e quando fui agir em defesa desse adolescente, fui agredido. Tive o tornozelo torcido e os ligamentos rompidos, além do fator psicológico abalado”, diz Heitor. “Tive que fazer cirurgia, fiquei um mês e meio de cama e emagreci 12 quilos”, completa. Desde o ocorrido, ele está afastado por seis meses para recuperação.
A assessoria de imprensa da Febem afirma que oito funcionários da unidade de Bauru estão afastados por licença médica, mas não confirma se eles sofreram agressões. Segundo a assessoria, as denúncias de agressão em todas as unidades são apuradas pela Corregedoria da Febem e pelo Ministério Público. É instaurado um inquérito para ouvir os envolvidos e o processo é mantido em sigilo. No final, a resolução do caso é publicada no Diário Oficial do Estado.
Funcionários
O Sintraemfa reclama que além das agressões, o número de funcionários na Febem de Bauru provoca fragilidade da segurança na unidade. Segundo Antônio Silva, a unidade local possui 80 funcionários e cerca de 18 estão afastados por problemas de saúde. “Na atividade direta com os adolescentes existem quatro trabalhadores por plantão. Deveria ter, por plantão, em média 20 agentes de apoio”, aponta.
“Isso está gerando um descontentamento na categoria, fragilizando a questão da segurança e colocando em risco a vida do adolescente. Mas a responsabilidade não é do diretor da unidade de Bauru porque ele tem tido empenho para resolver o problema, mas da direção da Febem em São Paulo”, destaca Silva.
A assessoria de imprensa da Febem contesta as informações e afirma que a unidade local possui 98 funcionários. Destes, oito estão afastados por licença médica. O órgão diz ainda que não faltam trabalhadores na Febem.
Alerta
O diretor de negociações coletivas alerta para o risco de rebeliões nos próximos dias em Bauru. “Estamos num período crítico, que é o Carnaval. O número de funcionários está reduzido e a molecada pode começar a se organizar”, diz Silva.
A assessoria de imprensa da Febem afirma que as datas festivas podem aumentar a ansiedade dos internos, mas o fator não implica em rebeliões. Segundo o órgão, nas semanas que antecedem o Carnaval, a Febem aumentou o número de atividades esportivas e o contato com as famílias dos adolescentes infratores para tentar diminuir a ansiedade dos internos.
Durante todo o período do Carnaval, uma viatura policial estará de plantão na Febem de Bauru para garantir a segurança. A unidade local tem capacidade para 72 menores infratores. Ontem, havia 73 internos na unidade.