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Conflito familiar motiva procura

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

Em geral, os menores que passam pelo Conselho Tutelar por envolvimento com drogas têm relacionamento familiar conflituoso. É o que afirma a presidente do órgão, Sandra Cristina Ferreira.

“Existe uma desestrutura familiar. Essa falta de estrutura faz com que essa criança ou esse adolescente saia para as ruas, que acabam sendo um atrativo maior do que aquilo que é oferecido em casa”, conclui.

Também para o promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira, o problema é motivado pelo contexto doméstico. “O descaso, o abandono e negligência dos pais fazem com que os filhos fiquem mais vulneráveis à situação das ruas. É onde ele acaba tendo contato com as drogas”, diz o promotor, lembrando que esse problema não atinge apenas as classes menos favorecidas.

A situação familiar conflituosa foi o motivo que levou R. a usar droga pela primeira vez, aos 11 anos. Abandonado pelos pais e com o irmão mais velho preso, ele cresceu apenas com a avó e conta que se sentia sozinho.

“Eu pensava: já que não tenho nada mesmo, vou começar a usar”, conta. Depois da morte da avó, R. foi para a Capital morar com o pai. Pouco tempo depois, devido à dependência, foi colocado em uma casa de recuperação. Em pouco tempo, o adolescente fugiu e permaneceu nas ruas de São Paulo por seis meses. Hoje, aos 17 anos, ele está em um abrigo para menores em Bauru e afirma que não tem perspectivas de voltar para a família.

“Mas eu não quero mais voltar para o mundo da droga. Porque esse mundo ou dá cadeia ou dá caixão”, ressalta.

E., 13 anos, também mora há seis meses no mesmo abrigo, para onde foi encaminhado devido ao uso de maconha, crack e tinner. O menino conta que foi para a rua porque sofria maus tratos em casa e começou a usar droga para se sentir alegre. “A sensação que me dava era boa. Então, depois, eu queria fumar mais (maconha)”, descreve o jovem, que começou a usar drogas com 9 anos.

Sustentando o vício

A presidente do Conselho Tutelar lembra que em muitos casos a dependência das drogas também leva à criminalidade. Nesse contexto, o vício é sustentando às custas de furtos ou trabalhos para traficantes.

“O adolescente caminha para o mundo do crime. Ele tem vontade de usar a droga, ele não tem dinheiro para comprar e começa a furtar, roubar. Ele entra mesmo nesse mundo e começa a cometer atos infracionais”, diz ela, destacando que alguns jovens chegam a se prostituir em troca do produto.

Segundo o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, aproximadamente 90% dos menores que cometem atos infracionais em Bauru têm algum tipo de envolvimento com drogas.

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