Bairros

Umbanda e candomblé são religiões distintas

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

O candomblé e a umbanda são religiões com características distintas. A primeira é o resultado de um processo de reapropriação da religiosidade africana no Brasil.

Entre os negros escravos que desembarcaram no País havia uma grande variação de etnias, que se traduzia também em diversidade de línguas e manifestações religiosas. Ao longo do tempo, ocorreu a integração dessas etnias africanas e a síntese de seus rituais.

“O candomblé, de certa forma, é uma síntese de diversas manifestações religiosas de etnias africanas dos escravos que vieram para o Brasil”, explica o professor de cultura brasileira Luiz Fernando da Silva, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru.

Os primeiros terreiros de candomblé, segundo Silva, datam do século 19, de regiões periféricas de Salvador (BA). Dos mais de 400 orixás cultuados na África, somente 16 foram incorporados à nova religião.

Os cultos africanos sofreram muita repressão dos colonizadores portugueses, que o consideravam uma espécie de feitiçaria. Para escapar às perseguições e conservar seus rituais, os adeptos passaram a associar os orixás a santos católicos, numa estratégia inicial de resistência. Atualmente, observa-se em alguns terreiros um movimento de recusa desse tipo de associação.

No candomblé, cada integrante do culto deve ser iniciado para um orixá específico. Há diversas festas no calendário de cada terreiro, que inclui homenagens aos orixás e aos filhos-de-santo que estão sendo iniciados.

Umbanda

A umbanda tem uma configuração recente e é considerada uma religião eminentemente brasileira. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no início do século passado e foi sofrendo um processo de sincretismo, recebendo influências de elementos da religiosidade afro-brasileira, do catolicismo, do espiritismo kardecista, além de ritos indígenas. Apesar de ter recebido linhas de influência, a umbanda tem como base uma fundamentação teológica própria.

Para a umbanda, o mundo é povoado por guias espirituais, que já estiveram na Terra e que entram em contato com os homens por intermédio dos médiuns. Os guias são representados por figuras como o caboclo, o preto-velho, a pomba-gira, entre outros.

A umbanda também se apropriou do panteão de orixás do candomblé. Em vários terreiros de umbanda, essas divindades africanas são identificadas com os santos do catolicismo. “No altar do candomblé verificamos elementos católicos, mas essa simbologia católica se faz muito mais forte e presente na umbanda”, avalia Silva.

Tanto no candomblé quanto na umbanda, os médiuns são levados a um processo de transe, representado pela incorporação de entidades divinas.

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