Pela primeira vez após 25 anos trabalhando “na praça”, o taxista João Batista Pereira de Camargo, 49 anos completados hoje, viveu na madrugada de ontem um drama que já vem se tornando uma espécie de “fantasma” para a categoria: foi roubado após ser contratado para uma corrida.
Trabalhando em um ponto no Terminal Rodoviário de Bauru, Camargo, por sorte, apenas não engrossou as estatísticas de vítimas fatais deste tipo de crime nem mesmo teve de arcar com grandes prejuízos - seu carro foi localizado pela Polícia Militar (PM) cerca de oito horas após o roubo.
O crime aconteceu por volta das 2h30 de ontem, quando um homem aparentando 25 anos de idade solicitou ao taxista uma corrida até o Núcleo Mary Dota. Na chegada ao bairro, na quadra 17 da avenida Marcos de Paula Raphael, o homem anunciou o assalto, colocando a mão sob a camisa na linha da cintura, simulando o porte de uma arma.
Na seqüência, o homem ordenou que o taxista descesse do carro e corresse. Camargo disse à polícia que obedeceu porque, como estava escuro, não poderia saber se havia ou não uma arma sob a camisa. Além do carro, um Escort ano 90, o assaltante levou um celular, cartões de banco e R$ 250,00 em dinheiro.
Por volta das 10h de ontem, os soldados Meire e Émerson da Base Leste da PM encontraram o carro roubado na mesma avenida onde aconteceu o roubo, na altura da quadra 26. À tarde, por volta das 16h, nas proximidades da Vila São Paulo, os mesmos policiais localizaram duas pessoas, sendo uma delas menor de idade, com o celular do taxista. À PM, elas disseram que “acharam” o aparelho.
Apresentadas ao plantão policial, as duas pessoas acabaram liberadas porque, segundo a delegada de plantão, Marilda Pansonato Pinheiro, além do fato de nenhuma delas ter sido reconhecida pelo taxistas como autor do roubo, ambas têm residência fixa e não possuem antecedentes criminais. Foi elaborado apenas um boletim de ocorrência (BO) de apreensão de objeto. Segundo a delegada, o aparelho será periciado para averiguação das ligações emitidas e recebidas após o roubo.
Profissão de risco
O taxista João Batista Pereira de Camargo diz que já estaria pensando em abandonar a profissão, apesar de admitir que “precisa trabalhar”. “Está muito perigoso (ser taxista), principalmente em pontos localizados em terminais rodoviários”, diz, relembrado dos vários colegas que já foram vítimas de violência semelhante à que sofreu ontem e de alguns que chegaram a perder a vida. “A minha família pede para eu largar (a profissão)”, completa.
O caso mais recente de assalto a taxista aconteceu em Bauru no último dia 19, em condições bastante semelhantes ao de ontem. Sob a ameaça de um revólver, um taxista de 34 anos viu ladrões levarem seu carro, dinheiro e um celular.
No ano passado, dois casos parecidos tiveram desfecho trágico. Em outubro, o taxista Luciano Oliveira de Souza, 25 anos, com ponto na rodoviária de Lençóis Paulista, saiu para uma corrida e acabou encontrado morto com um tiro na cabeça, nas proximidades de Agudos.
Em abril, o taxista bauruense Angelo Gimenes, 62 anos, foi esfaqueado diversas vezes durante um assalto e ainda sofreu um acidente de trânsito após perseguição policial - ferido, ele estava no banco traseiro de seu carro, mas acabou projetado contra o pára-brisa.
Com traumatismo craniano, morreu após 15 dias de internação. A família acredita que ela tenha sido esfaqueado porque estava com apenas R$ 10,00 no bolso.