Politicando

Candidato da noite


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Aconteceu em Itu, eleições de 1950. Mozart Novaes era radialista da Rádio Convenção. Já trabalhara nessa rádio, entre 1946/47, ano em que foi contratado pela rádio Record, “a maior”, em São Paulo.

A televisão ainda não existia e essa rádio era considerada, creio eu, a mais importante de São Paulo. Em seu “horário nobre”, depois das 20h, além das grandes orquestras com os maiores cantores nacionais, trazia para São Paulo os maiores cantores e artistas do mundo (Tito Schipa, Carlos Ramirez, Maria Montez e outros).

Os apresentadores desse horário nobre eram Blota Júnior, Randall Juliano e ele, Mozart Novaes. Boêmio por excelência, dono das noites. Talvez por esse mesmo motivo, tenha perdido o emprego em São Paulo; e retornou, em fins de 1949, a Itu e à Rádio Convenção.

Se tornara verdadeiro ídolo, trabalhava sempre no período noturno, às 23h terminava sua jornada e lá ia para todos os botecos e muquifos da cidade.

Em 1950, o assunto passou a ser eleições. Em cada bar, botequim etc, havia fãs do Mozart. Certo dia um seu admirador, lá pelas altas horas, propôs que ele se candidatasse a vereador, que seria vitória certa.

Todos os boêmios da cidade, e mais as fãs, votariam nele. A idéia vingou, conseguiu-se uma legenda e começamos trabalhar. Eram necessários, pelo menos, 125 votos, coisa que, para os “experts” do seu “staff” político (ele, o radialista Carneirinho e eu, seu parente por afinidade) seria muito fácil. Verba para a campanha: zero. Santinhos ou panfletos, nem pensar.

A campanha foi na base do corpo a corpo. As eleições vieram e, depois das apurações, conseguira exatos 120 votos. Não dava sequer para a suplência.

Decepção geral. Alguns dias depois, voltou ele a freqüentar os mesmos lugares de sempre. E foi daquele fã e admirador que teve a brilhante idéia da sua candidatura que ouviu o seguinte:

- “Seu Mozart, na hora de votar nóis pensemos: se o senhor só vive de noite, como é que o senhor poderia saber dos problema da cidade?”...

Contada por José Maria Toledo

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