Economia & Negócios

Pane na Embratel atinge os telefones e Internet em Bauru

Cristiane Goto e Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

O descarrilamento de nove vagões de um trem de cargas na manhã de ontem na região de Limeira provocou o rompimento de dois cabos subterrâneos de fibra ótica de telefonia da Embratel e interrompeu a transmissão de dados de parte das cidades do Interior de São Paulo, incluindo Bauru, e de todo o Sul do País por pelo menos seis horas.

O rompimento dos cabos comprometeu as conexões via Embratel, os serviços 0800, 0300, telefonemas interurbanos com o código 21, serviços de Internet, além da transmissão de dados por rede utilizada por bancos, empresas e pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo informou a assessoria de imprensa da Embratel.

Os serviços de telefonia foram restabelecidos completamente às 14h, segundo a empresa. Além de Bauru, foram prejudicadas pelo rompimento dos cabos as cidades de São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Limeira e Sorocaba, entre outras localizadas nas regiões desses municípios. Os três Estados da região Sul do País também ficaram sem os serviços. A Embratel não fez um balanço do número de cidades que tiveram os serviços cortados.

Em Bauru, a pane começou a ser realmente notada pela população com interrupção dos serviços prestados por alguns bancos, em especial a Caixa Econômica Federal (CEF), também sofreu um problema interno no seu sistema que durou cerca de 20 minutos - das 11h10 às 11h30. Segundo a assessoria de imprensa da CEF, este problema pode ter surgido devido a uma sobrecarga na utilização do sistema.

A assessoria de imprensa justifica a suposta sobrecarga lembrando que, além de seus correntistas, a CEF atende um grande número de beneficiários de programas do governo, como Bolsa Família, além de trabalhadores que precisam de serviços referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Programa de Integração Social (PIS). O problema de falta de comunicação também afetou os serviços bancários (saques, pagamentos) prestados pelas casas lotéricas, que funcionam como espécie de agências da CEF.

Segundo a assistente administrativa da CEF, Lúcia Helena de Barros, a pane causou um grande transtorno. “É começo de mês e há muitos aposentados nas agências”, explica. O problema, até então não identificado completamente, chegou a irritar alguns clientes que estiveram na agência localizada na rua Gustavo Maciel.

Barros explicou que todo o sistema de caixa da CEF é ligado na rede via Embratel. “Os caixas ficaram bloqueados e agora (11h30) estão com duas horas de atraso”, disse. A assessoria de imprensa da CEF garantiu, no entanto, que o sistema de atendimento por agendamento de horário não sofreu prejuízos ou atrasos.

O aposentado Valdomiro Martins disse que a situação atrapalhou bastante. “Eu cheguei aqui às 10h e só vou ser atendido às 12h30. Por enquanto, no posso pegar o meu dinheiro que está no banco”, protestou. A dona de casa Andréia Magalhães, que foi à agência central da CEF para receber uma parcela do seguro-desemprego também reclamou por ter ficado mais de uma hora esperando pelo pagamento. “Tenho casa para cuidar”, justificou.

A reportagem levantou que nem todas as agências bancárias da cidade foram atingidas pela interrupção das comunicações. O Bradesco, por exemplo, só foi afetado em algumas agências. O Banespa, no entanto, não teve o seu funcionamento alterado. Clientes reclamaram do problema no Banco do Brasil.

O comércio bauruense também sentiu os efeitos da interrupção dos serviços de telefonia e comunicação de dados que utilizam a rede da Embratel. O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), por exemplo, ficou sem poder atender seus associados e consumidores desde as 9h30 até o início da tarde. “Se alguém tentou fazer uma compra que dependesse da abertura de um crediário, não conseguiu. Nosso sistema ficou totalmente travado”, diz a coordenadora do serviço na cidade, Sônia de Oliveira. Ela não soube estimar quantas consultas deixar de ser feitas.

O mesmo aconteceu com a Serasa, empresa de análise e informações para operações de crédito prestadas a empresas financeiras. Funcionários da empresa em Bauru, que afirmaram não poder se manifestar oficialmente, também confirmaram que os sistemas de consultas ficaram totalmente paralisados.

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