A quase totalidade das cidades brasileiras não possui estocagem de sangue humano suficiente para as inoculações ou transfusões de que possa necessitar sua vasta clientela. A informação é atestada por levantamentos divulgados pelos nosocômios, cujos dirigentes não a escondem diligentemente. Fazem as pesquisas e levam seus resultados ao conhecimento da sociedade e de quantos possam responsabilizar-se pela solução do problema, que é bem difícil. E os meios de comunicação social também não a omitem, haja vista que constantemente a colocam em evidência, apontando-a por formas diversas, (jornais, televisão e rádio) aproveitando o ensejo para exortar à doação do santo remédio quantos tenham condições de fazê-lo para que os necessitados não pereçam.
Não escapam à grave realidade até os mais importantes e bem aparelhados estabelecimentos das capitais e cidades opulentas, onde o volume de enfermos é, sem dúvida, maior que o das urbes pequenas, pouco aparelhadas. Contudo, umas e outras se constituem cidades destituídas de sangue o bastante e, portanto, ameaçam genericamente as pessoas que, infelizmente, vêem aproximar-se de si o inverno da vida e não desfrutam de um ombro amigo, generoso, compreensivo, para debruçar e chorar, eis que muitos eventuais doadores ignoram que oferecer um pouco do sangue que possuem seja o dever de todos no altar da solidariedade e, por isso, não o sobem nunca nas alturas em que se encontram os santos divinos, transmissores de exemplos.
Conseqüentemente, os sadios pisam na bola enquanto os doentes marcam passo, perdendo-se nas encruzilhadas! Bauru já deixou de ser “cidade de muita bronquite”, revelam especialistas, mas continua necessitada de muito sangue, reconhecem-no os que dele carecem e nem sempre encontram bastante para as suas imprescindíveis transfusões ou inoculações. Recentemente, o Estado lhe doou generosamente um hospital de tamanho e instalações admiráveis, mas não se sabe se dotado também do manancial de sangue humano que a cidade exige. É a nossa opinião.
O autor, Nadyr Serra, jornalista responsável do JC, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“O automóvel é uma extensão dos pés do homem. Com ele, o homem se desloca rapidamente. Mas qualquer carro dispõe de uma pequena grande diferença: carrega a vida e carrega a morte. Depende um pouco do motorista”.