Bairros

Dever escolar determina empréstimo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os livros que disputam o topo da lista dos mais emprestados pelas bibliotecas municipais de Bauru variam de acordo com o período do ano. No entanto, os de leitura obrigatória nas escolas são predominantes entre os mais retirados. A constatação pode ser indício de que para parte dos usuários a leitura não é sinônimo de prazer, mas de dever. A situação reflete a dificuldade em democratizar o acesso à literatura.

O trabalho torna-se ainda mais árduo em função do mercado editorial brasileiro, na maioria das vezes incapaz de disponibilizar obras num preço compatível com o bolso do leitor. “Os custos tornam os livros inacessíveis. Mas, mesmo assim, deveria haver dentre os estabelecimentos de ensino uma motivação mais específica”, defende o presidente da Academia Bauruense de Letras (ABL), Munir Zalaf.

Autodidata, ele acredita que uma conversa “olho no olho” é decisiva para persuadir um jovem a cultivar o hábito de ler. “Fui falar sobre poesia numa escola e o entusiasmo foi muito grande. Jogos poderiam estimular a leitura. Devemos aguçar a curiosidade deles pelo sistema”, diz.

Na opinião de Zalaf, dez minutos de conversa antes das oficinas oferecidas nas ramais seriam suficientes. Para ele, o exemplo dentro da família também é fundamental. Se o presidente da ABL estiver correto, Thiago Henrique Ferraz Miqueloto, 5 anos, será um leitor contumaz. Atualmente, ele acompanha a tia Maria Carolina Duarte Ferraz às aulas de break na ramal do Mary Dota, onde aproveita para observar as figuras dos quadrinhos.

“Esse contato estimula”, diz Maria Carolina. Acostumada a se debruçar sobre os livros, ela lê em média oito títulos por ano.

Aproximação

Judô, break, filmes, contação de histórias, oficina de reciclagem são exemplos de atividades empregadas pela Secretaria Municipal da Cultura como armas para facilitar o acesso à literatura. “Você atrai com oficinas. Eles têm contato visual com livro. Um dia, pegam na estante. É um condicionamento”, afirma Elizete Maria Barro, diretora da Divisão de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

A relação entre os serviços agregados pelas ramais e o hábito da leitura não é hipotético. Para Tamires Oliveira Carvalho, é prático. Ela freqüenta a biblioteca do Mary Dota por causa do break. Mas quando o ritmo custa para sair do aparelho de som, aproveita para ler revistas ou “passar os olhos” pelos livros.

“Sem o ar sisudo, ela fica mais acessível. É um desafio muito grande difundir a literatura”, acrescenta Barro.

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