Regional

CR de Lins mantém a identidade do preso

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Há um ano e meio, a psicóloga Zoê Jardim Aoki, 58 anos, assumiu a direção técnica do Centro de Ressocialização de Lins. Desde então, tomou um posicionamento diferenciado daquele a que estava acostumada como psicóloga da penitenciária de Getulina. “Aqui, o tratamento é bem diferente em comparação com as penitenciárias. Os sentenciados são tratados pelo nome. Não se usam números e nem apelidos. Vulgo, só na ficha”, avisa.

No CR há 206 detentos, todos daquela região. Os presos são jovens com idade entre 20 e 25 anos que cumprem pena por homicídio, estelionato, porte de arma, furto e roubo.

A diretora explica que no CR só fica quem realmente quer se recuperar. “Aqui não tem grades. Eles são bem tratados, mas só ficam se estão conscientes de que merecem ser recuperados.”

Ela frisa que apesar do CR ter vigilância, não há como evitar as fugas. “A Polícia Militar retirou a segurança daqui no final de 2003. Agora, a viatura faz a ronda.”

Desde que assumiu o comando do CR, a psicóloga não teve de enfrentar nenhuma rebelião ou motim. “Nosso relacionamento é muito bom. Sou calma e minha formação ajuda na resolução de conflitos. Enfrento as situações de forma serena, tento apaziguar os ânimos quando eles chegam reclamando de tudo.”

O diálogo é a ‘arma’ usada pela diretora quando a situação exige. “Eu converso muito com eles. Coloco alguns para trabalhar e aqueles que têm condições de semi-aberto, saem para serviços externos.”

Na opinião dela, o preso que fica no CR tem todas as condições de se adaptar a sociedade, após cumprir a pena. “Já trabalhei em hospital psiquiátrico e me adaptei melhor com presos. Eles saem com a condição de trabalhar, porque aqui eles são profissionalizados. Aqui eles fazem curso de eletricidade, uma parceria com uma universidade da cidade.”

Na opinião dela, o detento é tratado para sair centrado. “Para agir de maneira correta. Nosso relacionamento com a família dos presos é intensa, trabalhamos juntos para que eles consigam vencer os obstáculos.”

Zoê Aoki diz que permite, com autorização, que o sentenciado, se necessário for, use o telefone para falar com sua família. “Eles têm acesso ao telefone, aos sábados, com autorização. Eles têm assistência espiritual, médica, psicológica. Cada dia da semana tem um culto religioso, menos no domingo que é dia de visita.”

A imagem da mulher

O atendimento individual diário é uma marca que a diretora procura manter no CR. “Eu espero que eles venham conversar. Mas aqueles que não me procuram, eu chamo. Quero saber o que passa na cabeça dele. Quando preciso chamo o representante de cada ala e juntos tomamos decisões que favoreçam a maioria.”

Sensibilidade

Na opinião do sentenciado Alan Delfino de Azevedo, que veio da P1 de Bauru, a mulher tem mais sensibilidade para tratar o preso. “Ela prioriza o lado emocional, o homem é mais racional. Tenho acesso a ela sempre que preciso. O homem é mais bruto, vejo ela como uma mãezona, ela cativou o respeito nosso. Temos confiança nela.”

Já o preso Marcos Aparecido Cândido de Azevedo classifica a diretora como uma ótima administradora. “Ela mantém o diálogo e dá abertura até para a gente desabafar problemas pessoais. Ouço comentários bastante positivos a respeito dela dos outros presos. Ela é capaz de ouvir e aconselhar.”

Comentários

Comentários