Regional

CR/Marília investe no tratamento digno para manter a disciplina

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A diretora do CR de Marília, a assistente social Alzira Iaticola Bueno, 61 anos, acredita que o resgate da dignidade do preso faz com que ele respeite não só a diretoria, mas todas as pessoas. “Logo que ele chega, eu digo que aqui é a extensão de seu lar. Não quero que pregue um prego na parede. As regras fazem parte do regimento interno, se você infringir alguma delas, será cobrado por isso.”

Rígida, porém justa, a diretora acha que a disciplina e o respeito são fatores que não podem faltar no interior de um Centro de Ressocialização. “Sabemos que estamos convivendo com pessoas que não deram certo com a família, na escola e na sociedade, por isso, mantemos um bom diálogo e alguns perdões quando a falta não é grave, como chegar atrasado no trabalho. Eu aviso. Se persistir no erro, volta para a penitenciária, onde ele fica trancado.”

Segundo a diretoria, o trabalho é voltado para que eles melhorem, em todos os sentidos, e retornem, à sociedade, recuperados. “Eles não permanecem presos apenas para serem privados da liberdade. Esse tempo tem que ser aproveitado para estudos, aperfeiçoamento e profissionalização.”

Ela confessa que não tem medo dos sentenciados. “Nunca tivemos problemas. Tenho aqui 215 detentos, alguns condenados há 20 anos. Eles são escolhidos após triagem feita na cadeias da região.”

Se há algum detento que passa pela triagem e depois no convívio não se adapta, ele volta ao sistema prisional convencional. “Nós encaminhamos esse preso para as penitenciárias.”

O CR atende , além de Marília, Vera Cruz, Pompéia e Garça. “A maioria dos sentenciados é traficante, vende a droga para sustentar o vício. Temos condenados por furto.”

Fazer com que o detento descubra os atos violentos e se conscientize que há caminhos melhores a trilhar é o objetivo dos eventos promovidos pela diretoria do CR de Marília. “Acredito que através da conscientização eles possam mudar a maneira de pensar e agir, por isso desenvolvemos debates, palestras e exibimos filmes que contribuam para isso.”

Na semana em que se comemorava o Dia Mundial da Não-Violência, o debate enfocou o assunto, comenta Bueno. “Trouxemos profissionais especializados em violência para debater o assunto com os sentenciados. Exibimos filmes. O resultado é que os presos descobriram que até uma palavra pode ser violenta. No Dia Mundial da Aids, o CR desenvolve palestras sobre o uso de drogas, camisinha e alcoolismo.”

A diretora do CR/Marília, Alzira Bueno, ressalta que organiza o ambiente de acordo com aquilo que faz parte de sua vida. “A mulher tem mais sensibilidade. Aqui tenho muitas plantas, flores e tudo que remete a minha realidade.”

Ela confessa que não teve problemas com a família por optar por essa função. “Meu marido e meus filhos não se opuseram. Eles convivem com essa realidade há anos.”

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