Saúde

Overtraining: quando o exercício faz mal à saúde

Por Sabrina Magalhães | Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 2 min

A prática regular de exercícios físicos é um dos pilares que garantem e sustentam a saúde e a qualidade de vida do ser humano. Mas para tudo nessa vida existe um limite e é cada vez maior o número de pessoas com overtraining: um distúrbio que acomete aqueles que exageram nos treinos. Fadiga, dores e lesões estão entre os principais sintomas.

A história é quase sempre a mesma. A pessoa começa a se exercitar, descobre os benefícios da atividade física, orgulha- se das mudanças no corpo e quer fazer cada vez mais. Depois de um tempo, no entanto, o rendimento cai, o cansaço fica maior e os resultados não são tão aparentes. Sem entender, ela pensa que está relaxando e intensifica seu treinamento. Começa aí um grande erro.

“Em busca de resultados rápidos ou até mesmo de objetivos muitas vezes impossíveis, há exagero nos exercícios. Somam-se a isso dietas restritivas e uma vida profissional e social intensas, na qual os períodos necessários de recuperação são quase sempre inadequados. Forma-se o quadro para o overtraining”, explica Fernando Torres.

Médico esportivo do Centro de Estudos de Fisiologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Torres explica que o problema ocorre toda vez que o corpo é submetido a uma carga de exercícios maior do que pode suportar.

A sobrecarga desencadeia reações, como observa o educador físico e graduando em fisioterapia Silvio de Araújo Fernandes Júnior, de Bauru. “Nosso organismo se adapta ao meio sempre que um estímulo é dado. Quando começa uma atividade física, todo o organismo se modifica. Quando ocorre um exagero sistemático, o organismo também tenta se adaptar e desencadeia sintomas para que a pessoa pare. A dor é uma forma de proteção, é um aviso de que aquela carga está sendo demais”, argumenta.

Quando o alarme dado pela dor não é atendido, o organismo começa a dar sinais mais “gritantes”. Surgem as lesões musculares e articulares, que não saram. A resistência do indivíduo ao exercício diminui e ele já não agüenta mais cumprir a programação que fazia anteriormente. Com o tempo, a pessoa pode apresentar insônia, perda de apetite, diminuição da libido e até depressão.

O alerta dos especialistas é que o overtraining sempre foi uma síndrome restrita a atletas profissionais. Só que, nos últimos anos, ele tem se tornado cada vez mais comum entre freqüentadores de academias e corredores amadores.

É um distúrbio e precisa ser prevenido ou tratado adequadamente.

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