O overtraining é resultado de um desequilíbrio entre a prática de exercícios e o repouso necessário para a recuperação do organismo. Cada vez que o corpo é submetido a uma atividade física, ocorre um desgaste de ossos, articulações, músculos, ligamentos, coração e várias outras estruturas do corpo humano. Elas precisam de um tempo para se recuperar.
Ao serem submetidas a um esforço, essas estruturas se cansam, podem inflamar, podem sofrer microestiramentos, micro-rompimentos e o organismo precisa do repouso para regenerar as células danificadas e preparar essas estruturas para nova “batalha”. No overtraining, o indivíduo não respeita esses tempos e as estruturas são submetidas à sobrecarga antes que tenham tempo de se regenerar. Isso sendo repetido rotineiramente transforma microlesões em lesões mais sérias e crônicas.
Questionados sobre qual seria a carga adequada de exercícios para a saúde, os especialistas explicam que isso é muito variável. O limite entre o que é saudável e o que é maléfico é uma condição individual. Depende do preparo físico, da idade, da estrutura fisiológica, do intervalo entre as atividades e da alimentação, além, é claro, do estado geral de saúde de cada um. Por isso, o overtraining varia de pessoa para pessoa.
Nadar 1.000 metros ou correr sete quilômetros por dia pode ser tranqüilo para um e um excesso perigoso para outro. Enquanto o primeiro se sente bem e obtém resultados eficientes com os 1.000 metros ou sete quilômetros, o outro pode entrar num quadro de fadiga e apresentar lesões nos ombros ou pernas, por exemplo. E essa comparação vale para todos os esportes.
Aí está um dos grandes erros cometidos por alguns professores e treinadores. “Mesmo grupos de corridas precisam fazer uma planilha de treino individualizada. Não adianta obrigar todo mundo a seguir o mesmo treino, porque cada corpo vai reagir de um jeito”, afirma a médida do esporte Fernanda Lima, chefe do Ambulatório de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas em São Paulo.
“Quando alguém não consegue, não é porque é preguiçoso, mas porque está indo além do seu limite”, acrescenta.
O educador físico Silvio de Araújo Fernandes Júnior, de Bauru, salienta que o overtraining é um distúrbio crônico e não deve ser confundido com o período de adaptação por que passa toda pessoa que inicia ou intensifica uma prática esportiva.
“Sentir dor no primeiro mês de academia, quando aumenta carga de exercícios ou quando exagera um dia é normal, porque o corpo sofre uma adaptação. Mas isso tende a diminuir e desaparecer sozinho”, afirma.
No overtraining, ao contrário, a pessoa não se recupera. As dores não só se tornam crônicas (o tempo todo, todos os dias), como aparecem com uma quantidade cada vez menor de esforço. Ou seja, no período de adaptação, a dor vai sumindo com a prática.
No overtraining, uma pessoa condicionada e habituada aos exercícios não agüenta meia hora de bicicleta, por exemplo. Para prevenir ou mesmo livrar-se da síndrome, o primeiro passo é contar com um bom acompanhamento.