Operíodo das águas, que acompanha o verão brasileiro, representa um importante problema de saúde pública para o País. A combinação de chuvas fortes com urbanização precária em várias regiões do Brasil facilita a ocorrência das enchentes, que exige atenção redobrada da população e das autoridades.
Alerta para situações de emergência e calamidade e preocupado com o aumento das infecções decorrentes dessas enchentes, o Ministério da Saúde colocou em prática, no final de janeiro, o Plano de Contingência de Vigilância em Saúde Frente a Inundações. Criado em 2003, ele tem como objetivo fornecer subsídios aos gestores municipais para a tomada de decisões em casos emergenciais.
Segundo o ministério, o plano determina um conjunto de ações que podem ser desencadeadas por gestores e pela população na iminência ou ocorrência de inundações no sentido de minimizar suas conseqüências.
Quando há situação de calamidade pública, o governo pode encaminhar “kits” de emergência para as secretarias municipais de saúde. Cada “kit” é composto por 23 tipos de medicamentos e materiais para curativos e pode atender cerca de 3 mil pessoas durante um mês.
Paralelamente a essas medidas, o governo federal determinou a formação de um grupo de trabalho composto por representantes de vários setores. Além da prevenção e da ação emergencial, os especialistas trabalharão na formulação de um sistema que possa antecipar o acontecimento dessas calamidades.
De acordo com o Ministério da Saúde, o ano de 2005 começou com poucas enchentes, se comparado a 2004. No ano passado, mais de 1.000 municípios declararam estado de calamidade neste período, milhares de pessoas ficaram desabrigadas e cerca de 80 morreram em decorrência das inundações.
As autoridades enfatizam que conhecer os riscos ajuda a população a enfrentar mais adequadamente o problema. Nesse sentido, o coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde do Ministério da Saúde, Guilherme Franco Netto, assinala que as inundações facilitam muito o contágio de doenças.
Por um lado, porque bactérias e outros germes carregados pelas enxurradas podem contaminar reservatórios de água, alimentos, utensílios de cozinha. Por outro, porque as enchentes tiram animais peçonhentos de suas tocas, aumentando o risco de acidentes com picadas.
Procedimentos
Para evitar esses problemas, a primeira recomendação das autoridades para a população é evitar o contato direto com a água e a lama das enchentes. Na hora de limpar a casa, móveis, utensílios e ruas atingidas pela inundação é fundamental calçar botas de borracha e luvas. Depois de limpo, tudo o que foi atingido pela água suja deve ser desinfetado com água sanitária.
Outra medida importante é higienizar o sistema doméstico de armazenamento de água. A limpeza dos reservatórios (caixas d’água) deve ser feita mesmo quando os mesmos não são atingidos diretamente pela água da enchente, pois a rede de distribuição freqüentemente apresenta fissuras, por onde pode entrar água poluída. É preciso esvaziar a caixa, lavar esfregando bem as paredes e o fundo, depois desinfetá-la.
Antes de utilizar essa a água, mesmo depois de lavar a caixa, recomenda-se deixar as torneiras abertas por alguns minutos para a limpeza do encanamento. Ainda assim, toda a água usada para lavar alimentos que serão consumidos crus ou para beber deverá ser filtrada e fervida para eliminar completamente o risco de contaminação.
Após uma inundação, também é preciso cuidado especial com os alimentos. Tudo o que entrou em contato com a água das enchentes deve ser jogado fora. Frutas, verduras, legumes, carnes, ovos, leite e produtos ensacados sofrem transformações quando em contato com as águas da enchente. Qualquer tentativa de aproveitá-los pode ser perigosa para a saúde.
A única exceção é para os enlatados que estiverem intactos. As latas devem ser lavadas e desinfetadas com uma solução de água sanitária e depois armazenadas em local seguro. Mas os especialistas alertam: só vale para embalagens intactas. Se as latas estiverem enferrujadas, amassadas ou semi-abertas, o alimento deve ser inutilizado.
E mesmo depois da chuva, se o alimento é adquirido em estabelecimentos que possam ter sido atingidos pela inundação, recomenda-se cozinhá-los muito bem, pois eles também podem estar contaminados.