Cultura

Para músicos, ainda falta espaço

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Integrantes de grupos de pagode de Bauru confirmam que o estilo conquistou bastante público no cenário local, mas afirmam que ainda falta espaço.

“Rola bastante festa de faculdade com samba e pagode. Mas faltam mais casas que toquem esse tipo de música em Bauru”, avalia Wellington Custódio, o Tom, vocalista do grupo Art Mulek.

“O pagode em Bauru está em alta. A cidade é muito boa para fazer samba. A gente sempre tem que procurar renovar. O pessoal mais jovem está curtindo bastante. Tem público diferente”, acrescenta Tom.

O Art Mulek costuma tocar covers de Fundo de Quintal, Almir Guineto, Jorge Aragão e Os Travessos, entre outros.

Luiz Otávio Maziero, o Tavão, baterista do Grupo Sereno, concorda. “Fica difícil para a gente mostrar nosso trabalho em Bauru. Mas na região de Agudos, Lençóis, Pederneiras, a gente sempre está tocando”, explica.

“Eu acho que Bauru tudo tem seus altos e baixos. A gente não tem tanta área para tocar em Bauru. A gente tinha uma casa de samba e pagode que não existe mais, que era o Sandália de Prata”, justifica.

Uma vez por mês, o Grupo Sereno toca no Jack. “O pessoal tem ligado para a gente tocar na maioria das festas de faculdade. O estilo cresceu bastante aqui na região”, destaca.

Para Eliel Martins Firmino, violonista e vocalista do Tudo de Bom, o pagode está na moda. “O pessoal curte numa boa - você vê todo tipo de gente curtindo. Pagode, para mim, é a versão pop do samba. Mas há pontos de vista diferentes. Antigamente, não havia espaço para isso”, diz.

O Tudo de Bom, além de tocar sucessos do pagode nacional, dá roupagens diferentes a músicas de MPB. “Eu insiro muita MPB no pagode. Instrumentos como as congas facilitam essa viagem”, expõe.

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Sobre o estilo

Historicamente, pagode era o nome das festas de escravos nas senzalas. No Rio de Janeiro, no final da década de 70, a palavra adquiriu novo significado – festa regada a comida, bebida e samba. Era no bairro de Ramos, no subúrbio carioca, que sambistas anônimos e jogadores de futebol se reuniam para comer, beber e cantar as alegrias e lamentos do cotidiano.

O pagode só apareceu na mídia depois que Beth Carvalho, em 1978, conheceu o grupo Fundo de Quintal, que trazia como um de seus vocalistas Almir Guineto. Era um samba misturado a outros ritmos africanos e à sonoridade do banjo, repique de mão e tantan (em substituição ao surdo).

Beth passou a gravar músicas desses compositores e acabou por revelar nomes como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Fundo de Quintal e Almir Guineto, entre outros.

Há, entretanto, dois tipos de pagode. Um é continuação do trabalho desses músicos e compositores citados. Outro, que explodiu na década de 90, é resultado de grupos que deram uma roupagem mais pop ao pagode. Eles podem ser identificados através da roupa que usam, coreografia, letras “adocicadas” e utilização de instrumentos eletrônicos, como o teclado – que dá à música um som mais próximo do pop do que do samba.

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