Gastronomia

Rio Botequim

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 7 min

Chega às livrarias através da Casa da Palavra, em parceria com a Memória Brasil, a sexta edição do “Guia Rio Botequim - 50 bares e botequins com a alma carioca” trazendo tudo sobre a eterna instituição carioca.

“Seja histórico ou moderno, pé-sujo ou arrumadinho, com ou sem música, o botequim está impregnado de carioquice, carrega a alma desta cidade cosmopolita e brasileiríssima, materna e mundana, multicultural e singular”, analisa Ricardo Macieira, secretário das Culturas, do Rio.

Na cidade maravilhosa, o botequim tem a mesma força da praia. Homens e mulheres, ricos e pobres, boêmios ou executivos dividem esse espaço democrático, certeza de descontração e de cultura.

Os principais destaques de 2004 estão elencados na publicação que conta tudo sobre sua história, seus freqüentadores e petiscos mais famosos. O leitor pode escolher em uma de suas próximas viagens ao Rio onde sentar para aquele chope gelado e a conversa sem hora para terminar.

A Paulistinha, Academia da Cachaça, Adega Bacalhau do Baixinho, Adega D’ Ouro, Adega de Costelinha, Adega da Velha, Adega do Timão, Adega Flor de Coimbra, Adega Pérola, Adega Ramos, Adonis, Antigamente, Armazém Santo Antônio, Bar Brasil, Bar Budo, Bar da Amendoreira, Bar da Dona Maria, Bar do Costa, Bar do Mineiro, Bar do Serafim, Bar do Zé, Bar Lagoa, Bar Luiz, Belmonte, Bip Bip, Botequim do Jóia, Botequim Informal, Bracarense, Café Gaúcho, Capitania dos Copos, Casa da Cachaça, Cervantes, Cordona do Feio, Cosmopolita, Jobi, Lamas, Meu Kantinho, Nova Capela, Ocidental, Opus, Palácio, Paladino, Pavão Azul, Picote, Real Chopp, Rebouças, Salete, Sobral da Serra, Sujinho e Vilarino têm lugar de honra.

Cheio de novidades, o novo guia especial para boêmios, turistas, curiosos e apreciadores do bom chope gelado e de petiscos da “baixa gastronomia carioca” traz cinco crônicas de especialistas e conhecedores da boemia: os jornalistas Alexandre Medeiros, Cristina Chacel, Marcelo Lins, Marceu Vieira e Paulo Thiago de Mello.

No cardápio do novo guia, patrocinado pelo chopp Brahma, histórias de como surgiram os bares mais antigos do Rio (Bar Luiz, Cosmopolita e Lamas estão nessa lista), as características de um autêntico pé-sujo, o que faz a soma perfeita entre a música e o chope, além de outras curiosidades etílicas da cidade.

De entrada, o Rio Botequim traz novidades gráficas: este ano está todo colorido e com um projeto gráfico que reproduz o clima do ambiente de cada local, página a página. As fotos de Bruno Veiga, Custório Coimbra e Marcelo Carnaval retratam os tira-gostos mais pedidos, o chope sendo tirado da serpentina, entre outras imagens que revelam a alma carioca do verdadeiro botequim.

Chegando ao prato principal, dos 50 botequins selecionados, a sexta edição traz novidades espalhadas por toda a cidade. A Zona Norte aparece com 13 bares, o Centro com 18, a Zona Sul com 17. E a Zona Oeste do Rio entra com dois: o novato Adega Ramos (Jacarepaguá) e o veterano Bar Budo (Pedra da Guaratiba).

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Fiéis à origem

Segundo Cristina Chacel, uma das autoras do guia, todos os botequins do Rio permanecem fiéis às suas origens, em espírito e vocação. Mas não vêm de tão longe. Os mais antigos são da virada do século 19 ao 20.

“Antes disso, o Rio era uma cidade muito voltada pra dentro, as pessoas quase não saíam de casa. A convivência acontecia nos quintais, nos clubes, nos bailes e saraus de ocasião. Rua, de um modo geral e no mais das vezes, ainda era lugar de negro, malandro, invertido e meretriz.”

Foi a partir da reforma do prefeito Pereira Passos que os botequins floresceram. A cidade, antes acanhada e colonial, ganhou ares franceses com a construção da Avenida Central, hoje Rio Branco, que rasgou a cidade de mar a mar, fazendo com que a pequena burguesia saísse às ruas.

Na década de 20, ninguém tomava chope ou cerveja no Rio. Bebia-se cachaça, nos quiosques, e vinho, nas leiterias. O responsável pela jogada de marketing que introduziu a bebida fermentada nas rodas foi Adolf Rumjaneck, dono do Bar Alemão, conhecido como Braço de Ferro.

Vendedor de chope que era, Adolf inventou de estimular o mercado interno disputando com os clientes a queda-de-braço, na qual era imbatível. Prometia ao adversário vinho de graça, caso vencesse. Na derrota, a pena era beber chope e ainda pagar a conta.

Claro que ele venceu, já que hoje não há bebida mais popular entre todas as camadas sociais do que o chope ou a sua modalidade pasteurizada, a cerveja.

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Caldinho de feijão

(16 porções)

Ingredientes:

8 xícaras de água 1/4 de cebolinha picada 1/4 de coentro 500 g de feijão-preto 300 g de carne seca magra cortada em cubos pequenos 300 g de paio defumado cortado em rodelas 2 tomates grandes picados 1 cebola grande picada 1 tablete de caldo de carne Sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo:

Na véspera, ponha de molho em água, em recipientes separados, o feijão e a carne-seca.

No dia do preparo, cubra a carne com água e deixe ferver. Escorra e repita o processo mais duas vezes, para tirar todo o sal.

Ponha o feijão, as carnes e sete xícaras de água na panela de pressão e cozinhe por 40 minutos.

Bata, aos poucos, no liqüidificador, o feijão com o caldo, todos os temperos e as carnes. Devolva à panela e acrescente o tablete de caldo de carne e a água restante.

Cozinhe em fogo alto e com a panela destampada até o caldo ficar bem grosso. Junte o sal e a pimenta.

Deixe ferver por mais cinco minutos e sirva.

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Torresmo

Ingredientes:

1,5 kg de toucinho fresco magro 1/2 colher (sopa) de sal 2 dentes de alho

Preparo:

Usando uma faca afiada, tire o couro do toucinho. Corte o toucinho em cubos, ponha numa tigela e tempere com o sal e os dentes de alho bem amassados. Deixe descansar por cerca de uma hora.

Ponha o toucinho numa panela de ferro, de preferência, ou então use uma panela reforçada, leve ao fogo alto e deixe começar a fritar.

Baixe o fogo e frite o toucinho, mexendo de vez em quando, até ficar dourado.

Tire os torresmos com uma escumadeira e deixe escorrer sobre o papel absorvente.

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Bolinhos de bacalhau

Ingredientes:

500 de bacalhau 3 batatas médias cozidas em água fervente, escorridas e descascadas 2 colheres de salsa bem picada Pimenta-do-reino a gosto 4 gemas 1 colher (sopa) de azeite de oliva Sal a gosto 4 claras batidas em neve bem firme 2 xícaras de óleo para fritar

Preparo:

Ponha o bacalhau numa tigela, cubra com água e deixe de molho na geladeira por 36 horas, trocando a água de vez em quando.

Passe as batatas cozidas no espremedor ou amasse bem com um garfo e reserve.

Retire o bacalhau da geladeira, escorra, elimine a pele e as espinhas, e passe a carne no moedor ou a desfie com as mãos.

Ponha a carne do bacalhau moída numa tigela, junte as batatas amassadas, a salsa picada, pimenta-do-reino a gosto, as gemas e o azeite, e bata com uma colher de pau até misturar bem.

Verifique o tempero e acrescente sal, se achar necessário.

Junte as claras em neve e misture até obter uma massa homogênea. Com 2 colheres de sopa, faça bolinhos ovalados e ponha-os numa assadeira.

Numa frigideira, frite os bolinhos em fogo alto.

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Aipim frito

Ingredientes:

1 kg de aipim (mandioca ou macaxeira) 2 1/2 de xícaras de óleo

Descasque e cozinhe o aipim e frite.

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Filé Osvaldo Aranha Bifes

Ingredientes:

2 bifes (200 g) de filé mignon Sal a gosto 4 colheres (sopa) de manteiga 8 dentes de alho bem picados

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Farofa

Ingredientes:

2 colheres (sopa) de manteiga 1 cebola pequena picada 1 xícara de farinha de mandioca

Prepare a farofa:

Ponha a manteiga numa frigideira e aqueça em fogo alto. Junte a cebola e frite até dourar. Acrescente a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre, até ficar tostada. Tire do fogo e mantenha aquecida.

Prepare os bifes: tempere os filés com sal a gosto, ponha numa chapa bem quente e grelhe de ambos os lados até ficarem dourados.

Enquanto isso, ponha a manteiga numa frigideira e aqueça em fogo alto. Junte o alho picado e frite até dourar. Tire do fogo.

Ponha os bifes num prato de servir, regue com a manteiga de alho. Sirva-os acompanhados da farofa, de arroz branco e batatas fritas.

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