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Ilusões


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Esta semana resolvi reler um livro que havia lido há anos. Trata-se de Ilusões, obra de Richard Bach. Estou surpresa em reparar que muitos detalhes me haviam passados despercebidos e outros, que me chamaram tanto a atenção naquela época, já não significam quase nada.

A forma como a gente olha para as coisas faz com que elas se tornem bonitas ou feias, doces ou amargas, boas ou ruins. Nesse sentido, é igualmente interessante avaliar como temos encarado o nosso cotidiano. Sinto a maioria das pessoas voltada para os aspectos negativos da existência.

A violência tem dado tanto ibope que os filmes, de uns tempos para cá, ficaram muito mais sangrentos, cruéis, bárbaros. Morrer parece ficar mais bonito quando se é massacrado, torturado, violentado, humilhado... Estão nos desvalorizando enquanto pessoas; estão nos nivelando por baixo, fazendo de nós (seres humanos) apenas animais instintivos que anseiam pela satisfação imediata dos seus desejos de ter, poder e prazer. As letras das músicas, que antes nos permitiam devanear entre amores promissores ou desfeitos, venturas e agruras pessoais, hoje nos convidam ao terror com os “filhos do clarão” (referência aos corpos em combustão), uma das piores coisas que já fui capaz de ouvir.

Fico boquiaberta e perplexa diante de tantas atrocidades idealizadas para chocar os filhos de Deus e, ao mesmo tempo, banalizar a violência de tal forma que ela seja sentida e vista como algo necessário e natural. Estamos sendo logrados inteiramente. A violência só gera mais violência, e ser coniventes apenas serve para minar a nossa paz de espírito. E mesmo sabendo disso, parece que somos cegos. Sujeitamo-nos a pornografia, a crueldade, a mentira, a exploração do outro. Ora, quanta coisa ruim fazemos só para nos projetarmos socialmente, ganharmos dinheiro, fama, poder. Ilusões!

Já que nossos momentos dão o tom daquilo que nos cerca, que tal nos empenharmos em transformar o nosso negativismo, oriundo das notícias cotidianas, em ações concretas de amor ao próximo? Estaremos novamente cumprindo a profecia de Isaías e seguindo as orientações de João Batista. Ou você espera que Cristo seja crucificado outra vez? (A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é profissional especialista em psicologia clínica e jurídica)

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