Mais de 68 mil estudantes da rede pública de ensino - 48 mil das escolas estaduais e 20 mil das municipais - voltaram às aulas ontem em Bauru, causando reflexo no trânsito. A estimativa da Polícia Militar (PM) é que, após o início do ano letivo, o número de veículos nas ruas aumentou em cerca de 10%, em comparação com o mês de janeiro, período de férias.
Cinco das seis instituições de cursos superiores particulares de Bauru também voltaram às aulas ontem - uma delas já estava em aulas. Já nas duas públicas, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP), as aulas ainda não começaram. Os universitários da cidade somam cerca de 20 mil.
Com a movimentação dos alunos, o aumento no número de veículos já era esperado, frisa o tenente Fabiano Serpa, comandante da Base de Transito. “Na verdade, agora após o Carnaval, a cidade volta a sua rotina. Dezembro é um mês atípico no trânsito porque há um número maior de veículos de fora por conta das vendas de Natal. Em janeiro, assim como em julho, devido às férias escolares e muitos pais estarem viajando, o movimento nas ruas é menor, tanto que todos os índices caíram”, diz. A frota de Bauru, em novembro, era de 142.165 veículos. A orientação da PM para os motoristas é evitar, se puder, transitar em frente às escolas nos horários de entrada e saída de alunos. Já para os pais que levam e buscam os filhos nas escolas, o tenente Serpa alerta a observar a sinalização da via e não parar em fila dupla, o que impede o fluxo natural do trânsito.
A novidade na rede estadual de ensino neste ano letivo é o aumento de uma aula por dia para os alunos do ensino médio (antigo colegial) do período diurno, de cinco para seis. De acordo com Paulo Maximino, assistente técnido de planejamento da Diretoria de Ensino de Bauru, a nova carga horária foi implatada sem problemas. “Foi feita atribuição e contratados professores para todas as novas aulas”, diz.
Maximino ressalta que outra mudança na grade curricular, para aumentar o número de aulas, está prevista ainda para este ano. A proposta é que os alunos de 5.ª a 7.ª série, que atualmente têm 25 aulas semanais, passem para 27, e os da 8.ª série, para 28. Além disso, eles teriam aula de reforço e projeto de leitura, aumentando a carga horária de todos os alunos de 5.ª a 8.ª série para seis aulas por dia.
No primeiro dia de aula, várias escolas, principalmente as que atendem alunos de 1.ª a 4.ª série, prepararam brincadeiras e atividades lúdicas para receber os novos estudantes. Na escola Joaquim de Michieli, no Jardim Cruzeiro do Sul, um palhaço esperava os alunos. “Muitos alunos da 1.ª série, por ser o primeiro dia de aula em uma escola nova, chegam nervosos e até chorando. Por isso preparamos uma acolhida especial”, conta a vice-diretora Íris Campante Patrício Tomus.
Além de participar das brincadeiras com o palhaço, os cerca de 600 alunos da escola - 300 no matutino e 300 no vespertino - puderam assistir vídeos. “Essas atividades ajudam na adaptação dos alunos na escola”, frisa Íris. Segundo Paulo Maximino, ainda há vagas para novos alunos. “A dificuldade é a escola. Nem sempre há vaga na escola escolhida pelos pais ou pelo aluno”, frisa.
Rede municipal
As escolas da rede municipal de ensino iniciaram o ano letivo ontem com cerca de 12.390 alunos no ensino infantil (pré-escola) e 7.856 no ensino fundamental (1.ª a 8.ª série). A Secretaria da Educação orienta aos pais de alunos ainda não matriculados a verificar nas unidades de ensino se ainda há vagas.
As escolas mantém uma lista de espera e, em casos de desistência, chamará os alunos inscritos na lista, pela ordem. Porém, o comerciante Sidnei Branco Júnior reclama que não conseguiu vaga na escola Santa Maria, que fica a meia quadra de sua casa, para sua filha que vai fazer a 5.ª série.
“No ano passado, ela estudou na escola Torquato Minhoto, na Bela Vista, e agora vai para a escola José Aparecido Guedes, também na Bela Vista. Desde julho do ano passado eu tenho procurado a escola Santa Maria, que fica a meio quarteirão da minha casa, para transferi-la e não consigo. E na escola existe alunos de outros bairros”, relata. Ele conta que no dia da matrícula foi à escola e havia uma fila de 50 alunos à espera de vagas.
Rosângela Redondo Ribeiro, diretora da Divisão de Ensino Fundamental da Secretaria de Educação, explica que a escola não tem mais vaga para 5.ª série. “Mas esta lista de espera, de 50 nomes, é para toda a escola. Para 5.ª série são nove alunos”, afirma.
Ela frisa que a lista para transferências é anual, o que explicaria o fato de o nome da filha de Branco não estar cadastrada apesar dele ter procurado a escola no ano passado. Sobre a presença de alunos de outros bairros estarem na escola, Rosângela afirma que os já matriculados têm prioridade.